Ensino em saúde: as pessoas como foco

Negócios, saúde, educação, tecnologia. Nada disso tem sentido se não colocamos as pessoas como propósito. O mundo é sobre pessoas para pessoas! E essa é a nossa motivação aqui no Medportal quando pensamos em inteligência para educação em saúde, em especial após os impactos da pandemia do novo coronavírus. 

A nossa provocação é para que você trabalhe com esse conceito em mente sempre que for reestruturar sua organização – seja ela uma rede, um grande hospital ou uma pequena clínica.

Neste artigo, levanto alguns pontos de discussão sobre o por quê, hoje em dia, a experiência do usuário tem grande valor e de que maneira ela deve nortear e moldar nossos projetos.

Quem é o cliente da saúde?

Para iniciar nosso diálogo, a resposta à pergunta é bem simples e rápida: o cliente da saúde é o paciente – o que não está errado, mas é insuficiente. Isso pois, como tudo em nossa área, a saúde da pessoa e o bem-estar da população em geral é a grande meta.

Mas, para chegar a isso, precisamos agir em diversas frentes de desenvolvimento, cada uma delas desafia a priorizar  diferentes tipos de “clientes”, que ora serão os colaboradores, ora os líderes e ora os próprios pacientes. Cada um terá seu momento como protagonista na evolução corporativa e, na maioria das vezes, uma parte impulsiona a outra. Explico-me: colaboradores bem treinados, com protocolos seguros, atendem melhor aos seus pacientes.

Por isso, ao trabalhar a educação em diversas pontas, cada uma com sua particularidade, conseguimos chegar a toda organização e fazê-la, aos poucos, evoluir na percepção de valor da pessoa como centro de tudo. Sendo assim, é formado um ciclo virtuoso, com os benefícios conquistados por um segmento de clientes retroalimentando o outro.

Líderes: vamos dar os primeiros passos!

E nesse contexto, os líderes exercem um papel fundamental. Acredito que o líder é aquele que inspira os demais, ao ponto de tornar-se referência. Não se trata, portanto, de autoridade e sim de reconhecimento para conduzir toda organização às mudanças necessárias ao longo do tempo. São os visionários, aqueles que devem estar um passo à frente e abertos a novas oportunidades.

Porém, a teoria nem sempre acompanha a prática. Ainda é bastante comum encontrarmos lideranças conservadoras, indispostas a novidades, com condutas que acabam por inibir a inovação, e, por consequência, prejudicar a evolução corporativa ou, até mesmo, o ambiente de trabalho.

O contexto atual, cujas mudanças são aceleradas, desafia a liderança Forças motrizes do desenvolvimento empresarial na era digital precisam ser validadas: clientes, mercado (concorrência), inovação e valor. Analisar nossas corporações no segmento da saúde, preparar nossas instituições e adaptá-las para que essas forças estejam em estado de aceleração, mas de forma equilibrada, impulsionando a evolução corporativa. Esse é o desafio diário. 

Por isso, é muito importante que as lideranças tomem real consciência do papel que ocupam. São elas que devem iniciar o processo de mudança de mindset, trabalhando sobre três pontos: elevar a produtividade dos colaboradores, implementar a satisfação do cliente e construir uma cultura digital dentro da instituição. Isso tudo tendo os dados, o mercado e a inovação como pano de fundo.

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

O Diagrama de Venn acima ilustra esse desafio e mostra como tudo está tão relacionado. Uma cultura digital facilita a coleta e análise de dados possibilitando a identificação de gargalos, automatização de algumas tarefas e processos o que reflete em incremento de produtividade e demanda foco no desenvolvimento dos colaboradores. 

Não há como ter mais produtividade, sacrificando a qualidade. Ou seja, neste contexto a qualidade assistencial deve estar ainda mais no foco das lideranças, implementando processos e protocolos que alavanquem a segurança do profissional e do paciente, elevando a satisfação de ambos. A adoção de ferramentas digitais também pode permitir mais proximidade com o paciente, entender sua jornada na instituição e desenvolver relacionamento preditivo e prestando informações contextualizadas, ou seja, no momento que o paciente necessite.

Estamos inseridos em uma sociedade globalizada, em constante movimento e o mercado acompanha essa premissa. E essa visão de continuidade e evolução também se faz presente na saúde, onde precisamos enxergar a pessoa como fim, e não como meio. E nada como a educação para atuar em todos esses pontos: desenvolvimento profissional, qualidade assistencial e relacionamento com o paciente.

Digital e figital

O digital é tão presente na nossa rotina que já se trabalha tendo como base um novo conceito: o figital – que integra a experiência física e digital em uma só, tão misturadas e dependentes uma da outra que se torna impossível diferenciá-las.

Em um mundo que começa a visualizar um cenário pós-pandemia, é impossível imaginar qualquer campo de atuação humana sem o uso da tecnologia digital. Se a vida antes era possível fora da internet, com o confinamento, uma considerável parcela de atividades passa agora por ela.

Dessa maneira, se você ainda não começou, é preciso dar início imediato às mudanças necessárias para que sua organização caminhe rumo a transformação digital. Hoje, não é mais possível promover a satisfação do cliente e dar mais subsídios de trabalho aos colaboradores sem analisar e integrar uma infinidade de dados, informações, conteúdo e serviços da integração on-line.

Foco na experiência e microlearning

Sendo assim, transportar a pessoa para o centro do negócio faz com que a experiência que ela tenha com determinado produto ou serviço seja mais importante que a própria mercadoria em si. Assim, quanto mais conhecimento uma pessoa adquire, mais ela se torna capaz de decidir os rumos e a velocidade do que ela deseja aprender. Ela passa a ter autonomia para customizar sua própria grade de ensino, de acordo com seus objetivos e necessidades.

Esse pensamento, aliado ao conceito de heutagogia, se completa com uma outra estratégia, o microlearning. São microaulas ou minicursos, de poucos minutos e altamente específicos, que somados dão ao usuário repertório suficiente para ele desenvolver uma trilha profissional personalizada.

Essa modalidade de aprendizado casa de maneira perfeita com outro conceito bastante em voga nos dias de hoje, o de lifelong learning, que encara a vida como uma grande jornada pelo conhecimento, em que sempre há algo novo para descobrir. Thiago Constancio, nosso CEO, dialoga sobre esse termo aqui.

Por fim, me diga: você aplica algum desses tópicos em sua vida pessoal, em sua trajetória profissional e/ou na instituição a qual pertence? Compartilhe a sua experiência. Testemunhos de gestão do conhecimento são importantes e fazem a informação ser cada vez mais amplificada. Por isso, não hesite em inspirar outras pessoas com o seu aprendizado.

Cálculo do ROI na educação em Saúde – a iniciativa que tem impulsionado hospitais

Muito se fala atualmente sobre propósito e motivação. Mas é preciso pensar: quais os gatilhos que cada um de nós tem para motivar-se? Num mundo cada vez mais digital, onde a informação está a todo tempo mais próxima de nossos mouses, a chave para essa pergunta pode ser: ter a compreensão e a dimensão real do resultado de nosso trabalho para o desempenho da empresa. E isso se chama impacto.

Não que isso seja uma tarefa fácil, mas há um senso comum de que nosso engajamento é maior e mais profundo à medida que temos maior clareza do caminho a percorrer e de onde queremos chegar.

Portanto, é fundamental correlacionar os nossos resultados pessoais aos das instituições em que trabalhamos. Várias metodologias ajudam nesse sentido: Peter Drucker, por exemplo, introduziu em 1950 o MBO (Management by Objectives)*, o que na era digital evoluiu para o OKR (Objectives and Key Results)**. Isso para abordar as mais conhecidas, mas há várias outras. O fato é que precisamos de indicadores que se relacionem com os resultados do negócio. 

Quando pensamos em educação corporativa na saúde, não é diferente. Conhecer e dimensionar seu impacto no resultado das instituições é determinante para evolução. Temos conversado com vários clientes e prospects e percebemos quão ampla pode ser essa atividade, de reconhecer o impacto no negócio. Como em todo processo de estabelecimento e mensuração de resultados, há que se começar por indicadores mais gerais, e o financeiro talvez seja o mais palpável.

Nesse sentido, o cálculo do ROI na educação em saúde pode ser um dos primeiros indicadores a ser mensurados. Mas isso só faz sentido em cenários de evolução da estratégia educacional e de modelos de ensino consistentes. 

Como exemplo, posso citar as reuniões de avaliação de resultados com os clientes do Medportal. Nelas, é possível perceber que o ROI aferido durante o primeiro ano de implantação do projeto chega a ser surpreendente. A iniciativa tem impulsionado hospitais e outras instituições a optar, seguramente, pelo treinamento por meio de uma plataforma robusta e digital de educação continuada.

A escolha do melhor caminho a ser seguido leva em conta, necessariamente, o retorno sobre o investimento (ROI). Não só para balizar o resultado dos gastos, mas também – e principalmente – porque esse retorno sinaliza o sucesso do modelo de educação utilizado.

Em geral, o que se espera de um programa de educação continuada é que ele forneça condições para o colaborador ter mais produtividade, eficiência e que esteja feliz por reconhecer a iniciativa como um investimento da empresa em sua carreira. Com isso, consequentemente, o ambiente de trabalho também melhora e se torna ainda mais propício ao crescimento da empresa.

Modelos para o cálculo do ROI na educação

Fazer o cálculo do ROI pode ser simples se você tiver um modelo a ser seguido. Existem várias possibilidades para essa checagem, e a escolha deve considerar o formato que melhor se adequa ao perfil do seu negócio. 

Para clientes que estão começando no Medportal, com foco em educação corporativa assistencial, recomendamos alguns modelos que trazem clareza sobre a diferença entre optar por um treinamento presencial ou uma plataforma digital. 

Um dos modelos mais básicos, leva em consideração as horas economizadas da equipe. Para chegar a esse dado, é preciso anotar e estimar o valor das horas de dedicação de instrutores, alunos e organizadores e então fazer o cálculo.

Vamos usar como exemplo um treinamento básico de enfermagem, de 1 hora de duração, qualquer que seja o tema, que pretende abranger toda a equipe. Imagine que o hospital tenha 1000 enfermeiros: seriam necessárias 25 turmas, com 40 alunos cada para atingir o objetivo. Normalmente esses treinamentos são ministrados pelos profissionais mais qualificados do corpo assistencial, como coordenadores ou gerentes de enfermagem.

Nesse contexto que te apresentei, a migração para o digital significa liberar minimamente 25 horas desse profissional, o que pode representar uma economia de aproximadamente R$ 1.100,00 se usamos o salário médio de mercado de gerentes de enfermagem***.

Ainda assim, também deve-se estimar as horas gastas com logística para os alunos. Para cada turma estima-se, em média, 20 minutos de deslocamento até o treinamento, mais o coffee break. Cada um dos 1000 enfermeiros estariam fora de seus postos assistenciais durante esse tempo, o que totaliza 333 horas utilizadas. Portanto, utilizando o salário médio de mercado para enfermeiros***, chegamos ao valor equivalente a R$ 7.284,00.

Para potencializar esse argumento, ainda é importante contabilizar quantas horas seriam usadas para a organização e gestão do evento presencial de educação. Nesse caso, para cada turma estima-se, em média, três horas para preparação, divulgação, coordenação do local e das matrículas — além dos registros de participação.

InvestimentoQuantidade de Horas Total Financeiro
Instrutor25R$ 1.100,00
Deslocamento enfermeiros333R$ 7.284,00
Gestão de cada Turma75R$ 1.643,00
TOTAL R$ 10.027,00

Parece pouco. Agora considere todos os treinamentos necessários para uma equipe de enfermagem que busca altos índices de eficiência e qualidade. Podemos tomar como base a Biblioteca de Conteúdos Técnicos do Medportal para termos uma dimensão. 

Nela, temos em torno de 1200 minutos de conteúdo considerado obrigatório para hospitais acreditados ou em processo de acreditação, ou seja, 20 horas de conteúdo digital. Se usamos o mesmo racional, para alcançar todo esse conteúdo para os 1000 enfermeiros, o investimento seria de R$ 200.540,00 (20 x R$ 10.027,00) . 

Claro que é uma comparação simplista, pois 1 minuto de conteúdo digital equivale a muito mais que 1 minuto de curso presencial. Se a proporção for 1 minuto digital para 5 minutos presenciais, esse valor fica em R$ 1.002.700,00.

Se você considerar o tempo gasto em treinamentos utilizando os conteúdos prontos da Biblioteca de Conteúdos do Medportal, chegará a um valor correspondente à economia de horas de dedicação da equipe do seu hospital. 

Esses valores não deixam dúvidas quanto à economicidade do modelo digital, sem falar na abrangência.

Mas não para aí

Mesmo tempos depois da migração para o modelo digital, a ampliação das aplicações permite alcançar mais ganhos. São vários casos que nossos clientes compartilham. 

Em um deles, o hospital decidiu substituir um treinamento presencial optando por transformá-lo em um modelo híbrido: conteúdo digital pela plataforma Medportal e simulação presencial. Chegou a um ROI interessante, considerando apenas a equipe de enfermagem que deveria realizar o curso em 2020. 

Isso porque o hospital subsidia a presença dos enfermeiros, então o valor agregado que conquistou com a plataforma foi bem marcante – R$ 376,5 mil!

E esse não foi um caso isolado. O hospital Santa Catarina, de Blumenau (SC), também calculou o ROI na educação em Saúde e durante a reunião de avaliação de resultados apresentou os seus números, demonstrando a satisfação pela escolha realizada. 

De maneira geral, entendemos que o digital integrado ao treinamento presencial é um modelo que gera muito valor às organizações. O que se tem percebido como um todo nas empresas de Saúde que se dispõem a calcular o ROI dos treinamentos corporativos é que a transformação digital da educação traz eficiência e escalabilidade. E, é claro, a geração de valor para a instituição, seus colaboradores e clientes.

*Drucker, P., The Practice of Management, Harper, New York, 1954; Heinemann, London, 1955; revised edn, Butterworth-Heinemann, 2007.

**Measure What Matters: How Google, Bono, and the Gates Foundation Rock the World with OKRs, Doerr, John, New York, 2018.

***Fonte: Glassdoor.