Os desafios em manter a qualidade do atendimento na desospitalização

Entre os especialistas da área da saúde, já há quem considere a desospitalização um caminho sem volta. O futuro do complemento à assistência hospitalar. É uma confluência de interesses mútuos que transformam a desospitalização em uma opção óbvia para o atendimento em saúde: os efeitos do ambiente na recuperação dos pacientes; a tecnologia que permite que vários procedimentos hoje possam ser realizados fora dos hospitais e até mesmo os benefícios financeiros dessa modalidade.

Antes de avançarmos nessa discussão, vale apresentar alguns conceitos. A desospitalização pode ser definida como a assistência domiciliar realizada por profissionais de saúde, mediante o estabelecimento de prazos e metas a serem cumpridas diariamente. Por isso mesmo ela também é chamada de home care (“cuidado domiciliar”, na tradução livre).  No ambiente familiar, o paciente costuma ser menos resistente às orientações e tratamentos.

Ou seja: a desospitalização tende a oferecer uma recuperação mais rápida e menos dolorosa, uma vez que o apoio e a proximidade familiar também fazem com que ele se sinta mais acolhido.

Mas é claro que a desospitalização vale apenas para casos em que o quadro clínico permita a internação domiciliar. O home care não substitui o hospital; apenas dá continuidade ao serviço na casa do paciente, com segurança e qualidade.

Os desafios
O primeiro grande desafio da desospitalização, como uma etapa até mesmo anterior à assistência em si, é provar sua necessidade. Ainda mais em um contexto de custos hospitalares elevados e resistência por parte de agentes do mercado para gastos maiores.
Um dos grandes desafios da medicina é a melhoria da eficiência financeira dos serviços. A questão em jogo aqui não é a lucratividade, e sim a sustentabilidade dos sistemas em médio e curto prazo. A ideia de que os custos com equipamentos de home care são mais altos ainda é muito presente. Mas essa realidade já está mudando.
As complicações de uma internação podem levar a gastos ainda mais elevados. Há muitas complicações inerentes ao ambiente hospitalar, como bactérias super-resistentes e o próprio período de recuperação, que tende a ser menor em casa.

Necessidade de evidências e protocolos
Por tratarem diretamente com a saúde humana, hospitais são cobertos por protocolos e procedimentos padronizados para promover sempre o melhor atendimento.

O mesmo cuidado deve ser aplicado ao home care. A política de desospitalização deve ser baseada em evidências. É importante que toda a instituição seja orientada para a atenção máxima ao manejo de doenças.
Esse desafio é ainda maior no contexto dos home care se comparado aos tradicionais hospitais, considerando que a interação entre as diversas equipes e as lideranças são pontuais. As equipes passam grande parte do tempo em unidades móveis.

Dessa forma, torna-se fundamental estar sempre atualizado em termos dos protocolos clínicos e garantir a adesão dos profissionais a eles. Isso previne grande parte dos problemas de relacionamento com pacientes e familiares e evita até problemas judiciais.

E apenas um programa de educação continuada pode garantir a adesão a esses protocolos com mais acurácia. Mesmo em domicílio, os profissionais envolvidos devem ser capazes de carregar consigo a cultura institucional e as melhores práticas. Levar o padrão de atendimento para a casa do paciente.

Desospitalização na pandemia
A desospitalização ganhou uma nova importância na pandemia da COVID-19. Antes uma alternativa na assistência de alguns pacientes, a modalidade passou a ser uma estratégia para reduzir a ocupação de leitos em tempos de alta demanda e diminuir também aglomerações dentro do hospital, favorecendo o isolamento como medida de prevenção.

Mas a COVID-19, por suas características de transmissão, impôs também alguns desafios à desospitalização. Por isso, profissionais passaram a adotar o monitoramento por telefone e avaliação médica por vídeo, permitindo a redução de visitas físicas, mesmo nos casos de alta complexidade. Cada caso passou a ter uma avaliação mais criteriosa para evitar prejuízos clínicos.

Fale com o Medportal
O Medportal é uma empresa especializada em ferramentas que facilitam a elaboração, execução e manutenção de programas de educação continuada em hospitais – inclusive com foco na desospitalização.
Estamos preparados para apoiar gestores no estabelecimento de um ambiente virtual de aprendizagem personalizado de acordo com as necessidades e objetivos da organização de saúde.

Nossas soluções resolvem diversos problemas encontrados pelas instituições, como a dificuldade de estabelecer o treinamento diante das diferentes escalas de cada equipe; a necessidade cada vez mais latente de modernizar a capacitação; a facilidade de controle e visibilidade da aplicação do treinamento e a busca por acreditação, além da adequação de modelos de conteúdo no contexto da pandemia.

Pessoas, Educação e Tecnologia: fatores estratégicos para hospitais

“Importante gerar e analisar os dados e educar todos os envolvidos da empresa, dizem os especialistas que participaram nos painéis do Medportal Summit”

     Aconteceu na última terça-feira (12) o Medportal Summit, com o apoio da ANAHP (Associação Nacional de Hospitais Privados), onde centenas de executivos de saúde estiveram presentes, seja no local ou assistindo online a transmissão ao vivo.

     Em um cenário mundial em que bilhões de dólares são investidos anualmente na chamada “transformação digital”, o tema principal do evento foi Pessoas, Educação e Tecnologia: fatores estratégicos para hospitais.  Dr Thiago Constancio, CEO do Medportal, abriu o evento contextualizando o público a respeito dos desafios do mundo digital e também sobre a presença e apoio crescente que o Medportal tem dado aos hospitais no desenvolvimento profissional e institucional: atualmente são mais de 180 mil pessoas de aproximadamente de 220 organizações estudando com as plataformas desenvolvidas pelo Medportal.

     Em seguida, Marco Aurélio Ferreira, CEO da ANAHP, falou sobre a importância de conectar, envolver e ativar todos os stakeholders do mercado de saúde nas iniciativas do setor, por exemplo, naquelas ligadas à transformação digital, sejam estas organizações da rede pública ou privada, a fim de proteger os profissionais, as instituições e melhorar o atendimento na ponta.

“Inovação é buscar todo dia uma forma diferente de melhoria”.

     Rodrigo Lopes, CEO do Grupo Leforte, abriu a mesa redonda “A visão da alta gestão sobre a educação digital e telemedicina para os hospitais”. Segundo Rodrigo, as empresas precisam investir em inovação e utilizar a tecnologia para otimizar o tempo da equipe assistencial e beneficiar os pacientes em tempo oportuno. Para ele “inovação é buscar todo dia uma forma diferente de melhoria”.  Lopes reforça que o líder precisa estar presente em todos os setores para identificar se a comunicação e a estratégia definida na alta gestão estão alinhadas com os que estão na ponta.

     A transformação digital precisa começar com os dirigentes da instituição, apontou Andrea Drumond, Superintendente do Hospital Renascença e Presidente do Capítulo Santa Catarina do CBEXs – Colégio Brasileiro de Executivos de Saúde. Andrea disse que não precisamos ter medo do novo e que a educação digital e a telemedicina vão acontecer inevitavelmente. Portanto os gestores precisam mudar o seu mindset, a cultura precisa se transformar. “A tecnologia é o meio, ferramenta de transformação, o fim é o cuidado com o humano”, afirmou Andrea Drumond.

     Luiz De Luca, Consultor em inovação e Gestão em Saúde, ao moderar a mesa apontou que precisamos mudar o repertório e se estamos no momento da transformação digital não podemos fazer como sempre. De Luca comentou que um líder deve se preocupar inicialmente com a gestão de habilidades de seus colaboradores, para então formar pessoas com competências mais amplas, o que melhora o diferencial competitivo da organização. Preparar pessoas é fundamental para transformar a organização, desta forma é preciso educar, transformar a cultura e, assim, todos os seus colaboradores, salientou De Luca.

     Para Andrea Drumond, é preciso engajar todos no projeto e sempre colocar o paciente no centro da atenção. “Primeiro você trabalha a comunicação entre os profissionais, depois ativa o engajamento e por último transforma a cultura empresarial.”

     De Luca finalizou a primeira mesa redonda falando que é importante envolver todos no mesmo propósito da empresa, para que eles caminhem na mesma direção e a tecnologia possa ser uma aliada neste processo.

O desafio de desenvolver líderes: qual o caminho?

     A segunda mesa teve início com a seguinte colocação da palestrante Ivana Siqueira, consultora em educação e gestão em saúde e assessora do Instituto Sócrates Guanaes: “o líder precisa ser diretor, implantador, inspirador, treinador e motivador”.

Ivana acredita que para desenvolver líderes é necessário:

– Informação para conhecer, estimular, atualizar e sintetizar;
– Agenda para discutir dados, indicadores, resultados e informações;
– Transformar dados em informação;
– Ter técnicas de busca;
– Executar habilidades de síntese;
– Dar oportunidade de decisão;
– Coragem, vontade e espaço para implementação das ideias.
“O conhecimento entre pessoas dentro e fora da empresa é vital para o desenvolvimento”, disse Ivana.

     O moderador da segunda etapa, Dr Francisco Balestrin, Presidente da International Hospital Federation e presidente do Conselho do CBEXs (Colégio Brasileiro de Executivos em Saúde), afirmou que “ser líder não é ter seguidores, mas sim, formar outros líderes”.

     Para o Dr Dario Ferreira, fundador do Instituto Brasileiro de Segurança do Paciente, “saúde tem o desafio de ter uma assimetria muito grande entre os profissionais. O líder nos hospitais precisa compartilhar os dados assistenciais com a sua equipe, promovendo aprendizado e conhecimento com todos”. Nesse sentido: “o líder, ele precisa se adaptar e precisa ter coragem, energia, humildade e transformar a sua realidade e a da organização em que atua”, complementou Ivana durante o debate.

     Para o Dr Leonardo Brauer, diretor operacional na Imed Group Brasil, ainda falta a percepção e conhecimento dos líderes para algumas outras questões que não as estritamente técnicas: “não é só olhar o processo, mas sim perceber e entender como funciona tudo ao redor.”

     Diante disso, é preciso estarmos abertos para acompanhar essas transformações tecnológicas, e estas mudanças de pensamento precisam começar na alta gestão. Todos os envolvidos na instituição precisam estar alinhados com o seu propósito e preparados para o novo, colocando sempre o paciente no centro da atenção.

Acreditação hospitalar também é um desafio para você?

As instituições de saúde existem, na sua essência, para cuidar de pessoas, portanto devem prezar pela segurança dos seus pacientes. As acreditações hospitalares, importantes neste processo, apesar de muito conhecidas, ainda despertam algumas dúvidas.
O que é Acreditação Hospitalar?
A acreditação hospitalar é um sistema opcional cujo objetivo é a avaliação e certificação da qualidade dos serviços de saúde. Este processo tem também um caráter educativo, voltado para a melhoria contínua da instituição.
Após o período de avaliação, a instituição avaliada recebe uma chancela da acreditadora, um reconhecimento formal expondo que essa atende os requisitos necessários e demonstra capacidade para realizar as atividades com mais segurança.
Qual o objetivo da acreditação?
Com finalidade de estimular o desenvolvimento de um processo permanente de avaliação e certificação de qualidade dos serviços de saúde, a acreditação potencializa a melhoria contínua da atenção e de práticas de qualidade na assistência à saúde dos pacientes.
Qual a importância da minha instituição ser acreditada?
Os órgãos acreditadores são reconhecidos por qualificar processos que garantam qualidade, ética e resultados prestados aos pacientes. Tais processos trazem como principais benefícios:
– Maior segurança para os pacientes e profissionais;
– Melhoria na qualidade da assistência;
– Promoção do trabalho em equipe;
– Monitoramento dos processos e resultados;
– Melhora do desempenho institucional;
– Identificação de riscos;
– Visibilidade no setor, oferecendo vantagem competitiva às instituições acreditadas;
Cabe ressaltar que o processo de acreditação estimula uma capacitação constante dos colaboradores, priorizando sempre o máximo de segurança ao paciente. O selo também fortalece a confiança dos pacientes e da própria equipe no que concerne a qualidade e segurança de seus serviços prestados.
Quais são as principais acreditadoras?

  • IQG, que representa a Acreditação internacional Canadense (Qmentum), é a maior acreditadora na área da saúde na América Latina e atualmente conta com mais de 700 clientes. Apoiam a capacitação e instrumentalização das Instituições para a transformação na busca constante da excelência por meio da gestão, adaptando-as à nova realidade.
  • A Acreditação internacional mais antiga, é a Joint Commission International (JCI), representada no Brasil pelo Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), também considerada a maior do mundo.
  • A Organização Nacional de Acreditação (ONA) é a que tem a maior representatividade em território nacional, a qual possui três níveis: Acreditação Ona Nível 1 — Acreditado: princípio segurança; Acreditação Ona Nível 2 — Acreditado Pleno: princípio gestão; Acreditação Ona Nível 3 — Acreditado com Excelência: princípio excelência em gestão.
  • Acreditação Nacional Integrada para Organizações de Saúde (Niaho): normatiza questões relacionadas à segurança assistencial, patrimonial e gestão do corpo clínico.
  • Healthcare Information and Management Systems Society (HIMSS), cujo objetivo principal é otimizar a prestação de assistência à saúde por meio da tecnologia da informação.
  • Há também, a ACSA, representada no Brasil pelo IBES. Trata-se do modelo de Acreditação europeu, que tem como objetivo a melhoria contínua da qualidade do serviço de saúde.

 
Como o Medportal pode auxiliar na acreditação da sua instituição?
O Medportal desenvolve plataformas digitais educacionais e conteúdo educacional para que hospitais qualifiquem e avaliem suas equipes. Estas plataformas são personalizadas para cada cliente, de modo que o hospital passa a ter um ambiente com a sua marca e cultura. Somos focados no setor saúde, o que cria todo um ecossistema que se retroalimenta, motivo pelo qual hospitais e instituições de saúde sempre preferem trabalhar conosco. Além do nosso conteúdo que dispomos aos clientes, as instituições que optam por produzir o próprio conteúdo podem embarcar o mesmo na nossa plataforma, a utilizando para gerenciar todos os treinamentos online/offline da instituição, para avaliar online os colaboradores e obter todas as métricas necessárias com avançados relatórios.
O treinamento online tem sido um grande aliado nos processos de acreditação, conforme temos comprovado com centenas de instituições que usam nossas soluções. A plataforma do Medportal oferece mais flexibilidade e efetividade a todo este processo, viabilizando que os colaboradores estejam sempre capacitados e atualizados e permitindo, em última análise, que os pacientes sejam melhor atendidos!
Alguns dos benefícios que o Medportal oferece:
Conteúdo exclusivo e de extrema qualidade, que pode ser utilizado como apoio ao conteúdo criado pela própria instituição (o que facilita a implementação do projeto para que ocorra de forma muito mais rápida e econômica).
Disponibilização de conteúdos online, na qual os profissionais de saúde podem assistir as aulas, cursos, protocolos e seguir trilhas de conhecimento quantas vezes for necessário, além de dispensar o deslocamento de todo corpo clínico para um auditório.
Avaliações que permitem averiguar continuamente quais os profissionais mais capacitados e quais precisam de novos treinamentos, de forma totalmente assertiva, customizável e escalável.
Relatórios completos, que viabilizam que todos os indicadores sejam acompanhados pelos gestores e pessoas envolvidas no processo de capacitação, garantindo maior governança, capilaridade, segurança e transparência do processo.
Acreditamos que profissionais capacitados podem transformar a realidade da saúde no país.
Vamos revolucionar a capacitação da sua instituição?

A grande onda da transformação digital na saúde

Transformação digital na saúde
A tecnologia está presente em diversos campos das nossas vidas, estamos vivendo um intenso processo de transformação digital. E quanto à saúde, como está ocorrendo o processo de transformação digital na área? Até onde já avançamos? Como tornar este processo mais efetivo?
É recorrente a fala de que as instituições de saúde estão “atrasadas” no que diz respeito à digitalização quando comparadas a outros setores, por exemplo, no uso da tecnologia a favor dos seus pacientes. Explicaremos neste artigo um pouco sobre como a transformação digital vem se desenvolvendo no âmbito da saúde e como as instituições podem e devem se preparar para uma nova realidade, a qual já se faz presente. Para que possamos fazer uma contextualização entre tecnologia e saúde, falaremos sobre as quatro grandes ondas que mudaram a maneira como as instituições de saúde evoluíram:
 

  • 1ª grande onda: Chegada das “grandes latas”

A primeira onda foi a chegada dos grandes equipamentos, os quais vieram para auxiliar e dar mais autonomia nos diagnósticos e os tornaram mais rápidos e precisos. Aparelhos de radiografia, ressonância magnética, ultra-sonografia e tomografia são alguns dos exemplos.

  • 2ª grande onda: Automatização dos processos administrativos

Na “segunda onda”, todo o fluxo administrativo do paciente dentro da instituição passa a ser automatizado, ou seja, é quando começa a existir maior controle nos agendamentos de cirurgias e exames, no planejamento da entrada e saída dos pacientes nos ambulatórios e assim por diante. Além disso, as questões financeiras passam a ser automatizadas também, agilizando, por exemplo, o processo de faturamento.

  • 3ª grande onda: Gestão do processo assistencial

Na terceira onda mais dados passam a ser coletados e trabalhados de maneira a melhorar o processo de gestão da instituição como um todo. Dados de giro de leito e do número de cirurgias, métricas das emergências e das unidades de internação, controles dos exames, são alguns exemplos de informações que passam a ser melhor medidas e gerenciadas.
A partir destes dados as instituições passam a estruturar áreas de Business Intelligence, que consistem na coleta, organização, análise, compartilhamento e monitoramento das informações. Passam então a trabalhar melhor em questões como eficiência, gestão de custos, efetividade, entendimento dos valores de cada procedimento e assim por diante e, como corolário, passam a entender melhor a jornada dos pacientes.

  • 4ª grande onda: Introdução das informações clínicas do paciente

Nesta fase as informações clínicas dos pacientes começam a ganhar destaque. Os prontuários eletrônicos e prescrições eletrônicas tornam-se cada vez mais presentes. Passa-se a coletar e integrar dados de imagem, dos laboratórios, dos monitores, dos respiradores, etc. E assim o corpo clínico passa a ter acesso a múltiplos dados de maneira cada vez mais integrada e ágil, oferecendo maior qualidade no tratamento dos pacientes.
 
Digitalização versus Valor entregue

Neste artigo foram levantadas informações sobre a evolução da tecnologia aplicada na saúde. Entretanto, automatizar processos não significa necessariamente estar nos moldes da vanguarda da transformação digital. Para tal, é fundamental que não somente os dados saiam do papel, mas que exista inteligência por trás destas métricas a fim de garantir melhorias tanto para a instituição quanto para os pacientes.
 
Dificuldades para aplicar a transformação digital na saúde de forma correta
A primeira dificuldade a se elencar está relacionada à maneira com que a tecnologia vem sendo empregada nas instituições de saúde, muitas vezes deixando o valor entregue ao paciente em segundo plano e se desenvolvendo de maneira mais reativa do que preventiva.
Outra dificuldade neste processo é a necessidade de transformar a cultura de determinada instituição. A transformação digital faz parte de um processo maior, necessariamente correlacionado à cultura institucional e capacitação dos seus colaboradores (médicos, enfermeiros e todos os profissionais que terão acesso, em algum momento, aos dados dos pacientes). Deve-se ressaltar que o desenvolvimento do capital humano é tão importante quanto da própria tecnologia, portanto o primeiro deve sempre acompanhar o segundo. As instituições precisam assim considerar no investimento da sua modernização a necessidade de capacitar adequadamente suas equipes.
Conclusão
A transformação digital chega mais significativamente no setor saúde com certo “atraso” quando comparamos com outros setores. Entretanto, tais mudanças estão se tornando notórias e inevitáveis, trazem melhorias significativas para todos os envolvidos. É necessário que as instituições de saúde e seus líderes e profissionais estejam preparados e capacitados para que absorvam tudo isso da maneira mais ágil e positiva, a fim de agregarmos cada vez mais valor aos pacientes em suas jornadas.

Os desafios do profissional de saúde na era digital

A saúde é um dos principais setores do mercado de trabalho no Brasil. Ela movimenta hospitais, clínicas, universidades e diversos profissionais nas mais diferentes áreas que a compõe.
É uma área que vive em constantes mudanças. Com o fenômeno de envelhecimento da população e com a inserção dos hábitos digitais, é preciso reavaliar as estratégias, rever processos e fazer bom uso das tecnologias. Isto muda não somente a forma como os profissionais de saúde estudam e se preparam, mas toda a rotina e o modo operacional que envolve a profissão.
A MUDANÇA DO COMPORTAMENTO DO PROFISSIONAL DE SAÚDE COMEÇA NA GRADUAÇÃO
Segundo Aluisio Gomes, médico e diretor do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal Fluminense em Niterói (RJ), “A mudança do comportamento da nova geração de profissionais começa na academia, onde os alunos já entram familiarizados com a tecnologia. O perfil do professor hoje está além de compartilhar os seus conhecimentos e experiências, ele também vira um mediador dessas informações trazidas e buscadas pela internet, trabalhando os aspectos éticos e curiosos dessas notícias”.
Os gestores das empresas estão cada vez mais buscando soluções que permitam interações entre as equipes e capacitações que sejam efetivas e realizadas de qualquer lugar. Atualmente, existem diversos dispositivos e ferramentas de software para aprimorar, automatizar e apoiar o trabalho.
A combinação de todas as ferramentas digitais, hardwares e softwares, que permitem trabalhar e viver melhor, mais rápido e com mais expressão serão as mais buscadas pelos profissionais. Além disso, a questão da digitalização do trabalho tem outras implicações na condução dos atendimentos, unindo experiências integradas com múltiplos dispositivos, gestão de atenção e informação, aprendizagem rápida, assistência digital em tempo real e melhor uso do tempo através da automação.
 
PLANEJANDO TREINAMENTOS COM EFICIÊNCIA
Ivana Siqueira, ex-superintendente de Melhores Práticas do Hospital Sírio Libanês e atualmente consultora em Gestão e Educação em Saúde na DI Consult, diz que dentro de um hospital existem diversas áreas e diferentes níveis de profissionais. Para capacitar toda a sua equipe é importante primeiro entender o momento atual da sua instituição (quais são as incidências de tratamento e patologias e qual é a perspectiva?) e depois entender o perfil de seus funcionários (qualificação, tempo de casa, experiências). Após esse diagnóstico, você cria o planejamento de acordo com a pirâmide hierárquica de sua instituição, como vemos a seguir:

De acordo com Ivana: “a tecnologia veio nos ajudar nessa construção do planejamento de capacitação e treinamento dos profissionais, pois, ela pode nos avisar a periodicidade que o profissional foi treinado, pode nos informar e juntar todas as informações da instituição com as dos especialistas. Com isso, eu consigo criar um treinamento mais personalizado e dinâmico para toda a pirâmide”.
PESSOAS NO CENTRO DA ATENÇÃO
A tecnologia está presente no dia a dia de todos nós e de acordo com as pesquisas 49% das pessoas fazem buscas sobre saúde e se automedicam por “Dr. Google.” Martha Oliveira, CEO da ANAHP, associação que reúne os 100 maiores hospitais privados do país, diz que, “as instituições de saúde e os órgãos regulamentadores precisam estar preparados para essa transformação, precisamos pensar em como colocar as pessoas no centro da atenção. Os gestores precisam se abrir para essas mudanças e o treinamento da equipe é fundamental para atender esse novo perfil de paciente.”
Em um mundo que transborda informação e que muda tão rapidamente é importante as instituições e os profissionais estejam preparados com essas transformações digitais.
Por isso, todos os recursos que colaborem para a produtividade, para a saúde e para o bem estar geral devem constar nos planejamentos de todas as empresas do segmento.
Nós do Medportal acreditamos que com a tecnologia podemos não só dar eficiência a processos, mas principalmente temos possibilidades concretas de aproximar pessoas e melhorar a conveniência da aprendizagem para todos. Podemos tornar um simples treinamento em uma experiência única, leve e divertida.
SOBRE MEDPORTAL
O Medportal existe e trabalha para que seu hospital implemente e gerencie um programa inovador de educação online. Nosso foco é facilitar todo este processo e agregar maior escala e excelência a projetos educativos.
– Ambiente virtual de aprendizagem personalizado para sua instituição;
– Conteúdo online pronto para uso além dos seus próprios protocolos e treinamentos que facilmente serão disponibilizados para toda a instituição;
– Expertise na área (consultoria para implementação e acompanhamento).
Referências:
1. Websérie Medportal 2018: Transformação digital e o profissional de saúde do futuro
2. Websérie Medportal 2018: Modelos de Treinamento e Desenvolvimento de Profissionais de Saúde – Ivana Siqueira
3. Websérie MedPortal 2018: Formando para o Mercado de Trabalho em Transformação – Aluisio Gomes
4. Websérie Medportal 2018: Liderando as Mudanças Digitais na Saúde – Martha Oliveira

Segurança Assistencial em Hospitais no Brasil

CENÁRIO PREOCUPANTE
Estudo realizado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) e pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2017 relatou que eventos adversos em hospitais são a segunda maior causa de morte no país, matando mais do que a soma de acidentes de trânsito, homicídios, latrocínio e câncer.
Por outro lado, o Primeiro Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil (2017) analisou dados de 133 hospitais e operadoras de Saúde, que atendem 7,6 milhões de beneficiários no Brasil, e constatou números também alarmantes: por dia, 829 pessoas morrem por sequelas causadas por erros ou eventos adversos.
Cabe ressaltar que, somente em 2016, mais de 300 mil pacientes morreram por falhas dentro dos hospitais no Brasil. Isso significa que a cada cinco minutos ocorrem três mortes que poderiam ser evitadas.
 
A NECESSIDADE DE CAPACITAÇÃO AMPLA E PRECISA
Apesar de todos os avanços no âmbito hospitalar, entendemos que todas as atividades operadas pelo ser humano estão expostas a eventuais erros, implicando em alta incidência de eventos adversos nas instituições hospitalares. É inegável que a gestão hospitalar precisa mapear a rotina assistencial e repensar os modelos vigentes de capacitação profissional, a fim de tornar possível a estruturação de novas estratégias e minimizar adversidades e erros, garantindo assim uma maior segurança ao paciente.
Para adotar medidas preventivas e de mudança de comportamento, o primeiro passo é analisar quais são as ocorrências mais comuns. Parece-nos que as Metas Internacionais de Segurança do Paciente, elaboradas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) junto à Joint Commission International (JCI), são fundamentais neste caminho a trilhar, pois reúnem estratégias e práticas que podem nos ajudar a enfrentar este cenário preocupante. São elas:
Identificar corretamente o paciente: a fim de garantir que todos os cuidados e medicações sejam aplicados na pessoa correta. Torna-se fundamental o processo de identificação assertiva dos pacientes, como o registro do número de prontuário/atendimento, nome completo e dados pessoais.
Melhorar a efetividade da comunicação entre profissionais de saúde: a comunicação não efetiva entre os colaboradores pode gerar inúmeros eventos adversos, tais quais: falhas na administração de medicação, erros na realização de cirurgias e de exames diagnósticos.
Melhorar a segurança na prescrição, no uso e na administração de medicamentos: os registros e controles precisam ser adequados, com prescrição legível, para assim evitar erros na prescrição de medicação, o que podem gerar efeitos indesejados, reações alérgicas, choque anafilático, entre outras intercorrências.
• Assegurar cirurgia em local de intervenção, procedimento e paciente corretos: promover um conjunto de ações que envolvam todas as fases do procedimento cirúrgico, como por exemplo o checklist cirúrgico, e desta forma oferecer cirurgia segura em todas as etapas (pré, peri e pós) e evitar procedimentos errados ou uso de equipamentos incorretos.
• Higienizar as mãos para evitar infecções: a infecção relacionada à assistência à saúde (IRAS) é uma das principais preocupações dos hospitais. Processos assistenciais aprimorados podem, através de diversos métodos, diminuir o risco dessas infecções. Como exemplo podemos citar a correta higienização das mãos (da equipe e familiares).
Reduzir o risco de quedas e lesão por pressão: a implementação de medidas que tenham como meta eliminar a ocorrência de queda, que podem ser provocados por uso de leito inadequado ou posicionamento de pacientes acamados em uma mesma posição por muito tempo.
 
TREINAR COM EFICIÊNCIA
Todas as metas possuem um único objetivo em comum: prevenir e reduzir a incidência de eventos adversos aos pacientes, sem que a sustentabilidade financeira da instituição seja colocada em risco. Neste contexto, o Medportal vem utilizando com êxito, em diversos hospitais, tecnologias de ensino digital, as quais têm contribuído para o treinamento padronizado e eficiente dos colaboradores, impactando diretamente na melhoria da qualidade e segurança do cuidado.
Conheça nossa plataforma para hospitais e conteúdo online sobre as metas internacionais. Eles são efetivos, ágeis e fáceis de usar! CLIQUE AQUI PARA SABER MAIS!

Tecnologia, Educação e Hospitais

Olá, tudo bem!?
Temos conversado com lideranças em centenas de hospitais de norte a sul do Brasil e notamos que são muitos os desafios que estão postos quando o assunto é treinamento e qualificação de profissionais de saúde.
Inegavelmente, os treinamentos têm sido cruciais para a qualificação do cuidado prestado, para a eficiência operacional e também para o alcance de objetivos estratégicos, como por exemplo, os selos de acreditação hospitalar. Mas sabemos que não é fácil dar conta de (re)treinar centenas e às vezes milhares de pessoas… avaliar os resultados, então… bem mais complicado.
Uns falam de orçamento restrito para educação continuada, outros em problemas para treinar os colaboradores sem desfalcar os postos de trabalho e até mesmo os que conseguem reunir todos em um auditório para as tradicionais palestras queixam-se do baixo engajamento das pessoas nos treinamentos. É uma realidade que nos preocupa, pois acreditamos que a qualificação contínua dos profissionais é parte fundamental da melhoria da assistência que prestamos aos nossos pacientes.
Por outro lado, a disseminação e popularização de tecnologias de ensino online, simulação e realidade virtual vêm impactando positivamente a forma como os hospitais treinam e avaliam seus profissionais.
Pensando nesses desafios, o Medportal entrevistou uma série de especialistas pra entender melhor como hospitais e instituições de saúde de renome estão lidando com este cenário. A Websérie Gestão da Educação 2.0 em Hospitais tratará dos principais desafios enfrentados pelas instituições de saúde no que concerne à formação e desenvolvimento dos seus profissionais e como tecnologias educacionais podem gerar eficiência e qualidade neste processo.
Diretores e gestores das áreas de qualidade, educação continuada, enfermagem e recursos humanos serão os principais beneficiados por este exclusivo conteúdo.
O lançamento da Websérie completa e gratuita será no dia 17 de outubro às 10h da manhã, mas você já pode assistir as entrevistas do pré-lançamento. Lembre que as vagas são limitadas!
Inscreva-se gratuitamente aqui: https://medportal.com.br/educacao-continuada-para-hospitais
 
Um abraço
Thiago Constancio, MD
CEO Medportal
 
 
VEJA ALGUMAS DAS ENTREVISTAS:
Heleno Costa (ESTÁ NO AR!) ✔ ✔ ✔
Gerente Nacional de Educação Corporativa do UnitedHealth Group
Tema: As Experiências da Educação 2.0 em Redes Hospitalares


Ivana Siqueira (Lançamento em 26/09)
Consultora nas áreas de melhores práticas e educação. Experiência de mais de 20 anos como executiva do Hospital Sírio Libanês
Tema: A Educação e Capacitação de Profissionais em Hospitais


Ronaldo Kalaf (Lançamento em 03/10)
Diretor da Regional ABC do Grupo NotreDame Intermédica
Tema: Como a Educação Hospitalar 2.0 pode contribuir para a conquista da acreditação e para o seu negócio


Alexandre Ísola (Lançamento em 03/10)
Gerente do Departamento de Educação Continuada – Imed Group Brasil
Tema: Tendências Pedagógicas dos Treinamentos Online para médicos em Hospitais
Assista o vídeo de introdução: https://youtu.be/VikuxF7lC3A
Inscreva-se gratuitamente aqui: https://medportal.com.br/educacao-continuada-para-hospitais

CBA e Medportal firmam parceria para atualização de profissionais de saúde no país

Lives, aplicativos e treinamentos online são algumas das plataformas ofertadas

O Brasil tem cerca de 6,5 mil hospitais e em torno de 208 milhões de habitantes em seus pouco mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Levantamento do Conselho Federal de Medicina mostra que há quase 450 mil médicos no Brasil, sendo que somente 243 mil médicos possuem título de especialista, segundo o Cadastro Nacional de Especialistas, do Ministério da Saúde. Há maior concentração desses profissionais nas regiões Sudeste e Sul e carência no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O mesmo contexto ocorre com os profissionais de Enfermagem, conforme dados do Conselho Federal de Enfermagem.
Esse é um cenário preocupante: há poucas instituições e profissionais de saúde por habitantes no país, além de serem mal distribuídos regionalmente. Outra situação crítica diz respeito ao tempo que esses profissionais têm para se atualizarem em face às suas atividades laborais e ao avanço de novas técnicas e à incorporação de modernas tecnologias às práticas de saúde. Pensando nessa demanda o Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA) e o MedPortal celebram uma parceria para educação e atualização profissional em saúde à distância.
“Iniciamos nossa parceria há cerca de quatro anos disponibilizando apenas cinco cursos na plataforma do MedPortal. Posteriormente, lançamos a plataforma customizada de ensino online do CBA, utilizando a tecnologia MedPortal. Agora estamos ampliando o escopo de atuação em negócios digitais, visando democratizar o acesso ao conhecimento da acreditação, ou seja, na área de gestão, qualidade e segurança”, diz a superintendente do CBA, Maria Manuela Alves dos Santos. Para isso, o CBA conta agora com a força técnica e criativa do MedPortal para os desenhos e ofertas de produtos de ensino do CBA.
O resultado dessa associação pode ser percebido na dinâmica de ofertas de treinamentos online, no modelo tradicional e de novos produtos de relacionamento em tempo real, inclusive in company. “Iniciamos com o Live CBA, evento com transmissão ao vivo comandado pelo coordenador de acreditação do CBA, Dr. Valverde, cujo conteúdo foi sobre o novo manual de acreditação para hospitais acreditados da Joint Commission International, parceiro associado ao CBA no Brasil”, diz Thiago Constancio, CEO do MedPortal. A live contou com a participação de cerca de 150 pessoas de quatro hospitais. “A aceitação foi tamanha, que já temos outro programado neste mês, sobre o mesmo tema, e um sobre cirurgia segura previsto para novembro”, ressalta.
“A relevância dessa metodologia está no fato de facilitar a reunião de pessoas de um mesmo hospital para um treinamento online, sem que precisem se deslocar para fazer o treinamento presencial”, complementa. Outra vantagem apontada por ele está no custo. “Esse modelo está ganhando cada vez mais adeptos, até mesmo porque gera uma economia na casa de 70%”, observa.
Constancio adianta que a plataforma de ensino do CBA permite utilizar outras ferramentas para a área de ensino da acreditadora. “Em breve, teremos o Insight CBA, bate-papo temático gratuito com a participação de dois ou três especialistas”. De acordo com o CEO do MedPortal, o material integrará a biblioteca digital do CBA e será disponibilizado para pesquisas remotas.
Outra novidade a caminho é o QTracer, aplicativo holandês que facilitará a manutenção dos processos de acreditação nos hospitais. Com ele, é possível medir e avaliar a conformidade e o desempenho, de acordo com os padrões de acreditação da JCI/CBA. “Brevemente, entraremos na fase de validação dessa ferramenta, com a testagem dessa plataforma em dois hospitais”, adianta o CEO do MedPortal, que está assessorando o CBA no campo de negócios digitais voltado para a acreditação.

Congresso 2.0

A tecnologia aplicada a saúde não está somente no investimento interno da direção do CBA na área tecnológica de ensino. Tecnologias emergentes e a qualidade do cuidado é a temática central do IV Congresso Internacional do CBA, que será realizado em setembro no Rio de Janeiro.
Além das conferências e painéis abordando conteúdos como Dispositivos e sistemas de monitoramento remoto de pacientes, Análise de dados e modelagem preditiva na estratificação do risco e Medicina Digital e as Fronteiras do mundo digital: da assistência à pesquisa clínica, entre outros, o CBA e o MedPortal trazem para o Congresso uma metodologia que já é sucesso nos Estados Unidos, e também no Brasil, exibida pela Sony Channel: o Shark Tank. “Startups apresentarão suas soluções tecnológicas para a saúde no palco do Congresso. E, em seguida, serão avaliadas por especialistas, os ‘tubarões’. A vencedora receberá um programa de mentoria desses experts”, conta Thiago Constancio.
Para saber mais sobre o IV Congresso Internacional CBA acesse: http://eventos.cbacred.org.br/congresso-internacional-2017
 
Fonte: Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA)

Plataforma de Ensino a Distância e Compliance nos Hospitais

A natureza da organização hospitalar impõe que a gestão do trabalho seja fortemente dependente dos profissionais, sendo estes os mais responsáveis pela eficiência e a qualidade dos processos e resultados alcançados. Nos últimos anos, mudanças dramáticas têm ocorrido na indústria de serviços de saúde no mundo todo. Por um lado a crescente pressão de demanda e a luta pela universalização de saúde. Por outro, o rápido desenvolvimento tecnológico e a inovação tecnológica médica, fazendo com que os custos do setor venham crescendo com velocidade cada vez mais elevada, deslocando-se aos demais setores da economia. Nesse contexto de pressão crescente por melhor gestão de custos, associado a um processo de regulamentação cada vez mais forte, temos presenciado um esforço grande de profissionalização das organizações de saúde, em busca de melhores níveis de eficiência e eficácia organizacional. Muito conhecido nas instituições financeiras, a área de Compliance, do inglês “comply”, agir de acordo com as regras, é a atividade de assegurar que a empresa está agindo de forma ética, absolutamente em linha com as normas, controles internos e externos, além de todas as políticas e diretrizes estabelecidas e imposições dos órgãos de regulamentação, dentro de todos os padrões exigidos de seu segmento.
 

 
A educação continuada é colocada como elemento fundamental para o sucesso do gerenciamento de serviços de saúde, auxiliando profissionais no fortalecimento de seus conhecimentos e na maior segurança de aplicação do cuidado, indispensáveis para a qualidade na assistência. Qualidade é um dos focos permanentes da gestão, em uma perspectiva de melhoria contínua, envolvendo implementação de estrutura e processos de qualidade (comissões, protocolos, monitoramentos, análise de processos); acreditação externa; cumprimento de normas de vigilância de serviços; uso intensivo de informações; prontuários com qualidade nos registros; implementação de ferramentas de gestão clínica.
Em organizações pressionadas pelos fortes processos de regulamentação, custos crescentes e em busca de profissionalização, a plataforma de educação a distância pode ajudar no processo de implantação e implementação do programa de Compliance, dando sinergia e capilaridade ao programa através do alinhamento entre o Compliance e o ensino. Desta forma, é possível realizar programas elaborados e alinhados com a estratégia do hospital ao mesmo tempo levando conteúdo técnico relevante para profissionalização e melhoria da qualidade do serviço prestado; e regras, transparência, regulação, políticas, leis, requerimentos e normas aos funcionários e colaboradores.

Desafios na Capacitação e Atualização dos Profissionais de Saúde: Entrevista Exclusiva

Diversos são os desafios dos hospitais e demais instituições de saúde na capacitação, qualificação, atualização, suporte e acompanhamento dos seus colaboradores. Manter o corpo clínico, sobretudo médicos e enfermagem, altamente motivado, atualizado com as diretrizes técnicas mais recentes, capacitado do ponto de vista de inteligência emocional, alinhado ao perfil institucional (atendimento, cordialidade, proatividade, organização, higiene, etc) e, principalmente, ciente e atuante do preconizado nas diretrizes e protocolos instituídos em cada Hospital são metas importantes para todos os níveis da gestão. Recentemente tivemos a oportunidade de entrevistar o Coordenador do Depto. de Educação Continuada do imed Group, Dr. Alexandre Ísola, sobre capacitação e atualização de profissionais de saúde. Confira abaixo:
 
Medportal:
Hoje conversaremos sobre questões relacionadas à capacitação e atualização de profissionais de saúde com o Dr. Alexandre Marini Ísola, médico pneumologista e intensivista com MBA em Administração Hospitalar e serviços de saúde; Coordenador do Depto. de Educação Continuada no Imed Group.
Antes de tudo agradecemos ao Dr. Alexandre pela disponibilidade, pelo seu tempo, pela honra de doar este tempo para conversarmos a respeito deste tema tão interessante. Muito obrigado Dr. Alexandre!
Dr. Alexandre:
“Boa tarde! Muito obrigado pelo convite. Fico muito honrado em poder participar. ”
Medportal:
Inicialmente gostaria que o senhor falasse um pouco da sua atuação no imed Group, como se estabelece o dia a dia, as rotinas. De que maneira vem se organizando e estruturando no que concerne a esta questão de capacitação e atualização dos profissionais de saúde nos hospitais em que vocês atuam?
Dr. Alexandre:
“O imed Group é uma das maiores empresas de prestação de serviços médicos no Brasil e nós atuamos basicamente na linha de cuidados críticos, com a prestação de serviços assistenciais (medicina intensiva, emergência e medicina hospitalar, conhecida por muitos como Hospitalismo), como também na linha de cuidados ambulatoriais, em Cardiologia. Somos mais de mil médicos e precisamos manter todos atualizados, garantindo uma linha de qualidade de excelência em atendimento.
A diretoria da empresa decidiu investir na estruturação de um departamento específico para a Educação Continuada dos médicos da empresa, onde nós vamos usar as ferramentas necessárias visando manter a equipe atualizada e também fidelizar o nosso médico, fazer com que ele entenda a sua participação dentro do processo de atendimento, não só para que a parte técnica seja adequadamente cumprida, mas também a parte comportamental de todos seja a melhor possível, levando satisfação para os nossos clientes, em sendo: nossos pacientes, seus familiares, nossos pares multiprofissionais, nossos contratante, enfim, todas as pessoas e empresas envolvidas na prestação de serviços pelo Imedgroup Brasil. ”
Medportal:
Como é a dinâmica desde a estruturação? A demanda de conteúdo precisa ser controlada? Como é organizado a nível estratégico, tático e operacional? Ou seja, como vocês organizam-se para geração de conteúdo e disponibilização dos mesmos para uma equipe enorme, com muitas pessoas envolvidas em diferentes localizações?
Dr. Alexandre:
“Um importante desafio em uma equipe tão grande é chegar a todos de uma forma homogênea e conseguir levar a eles este processo de educação. Como primeiro ponto, temos um departamento de qualidade muito forte, muito bem estruturado e que tem condições de fazer diagnósticos quando iniciamos com serviços novos e também uma monitoração contínua nos atuais serviços, visando encontrar eventuais gaps que possam ser sanados.
O departamento de qualidade tem um contato bastante estreito conosco no sentido de identificar onde podemos atuar e direcionar as metas de Educação Continuada.
A partir daí, traçamos um plano específico para cada necessidade, definindo as metas que queremos em termos de educação continuada.
Para isso, nós vamos usar recursos que existem no contexto educacional, utilizando-nos dos princípios da Andragogia, que permitirão embasar a criação de ferramentas apropriadas para o ensino do adulto. O ensino do adulto é bem diferente do ensino das crianças ou do adolescente. Nós precisamos criar e garantir a prontidão para o aprender. A prontidão para o aprendizado do adulto não é tão simples. E essas “cenourinhas” (estímulos) são uma das nossas necessidades para que o adulto perceba que ele tem gaps, que muitas vezes não são vistos por ele mesmo, e que estes gaps podem ser melhorados. Esses gaps não são somente técnicos, mas também comportamentais e de liderança. Assim sendo, procuramos utilizar métodos síncronos e assíncronos para fazer educação continuada, presenciais ou não, na empresa ou no local de prestação de serviço médico propriamente dito, de acordo com as necessidades e com o tipo de treinamento.
Na nossa área de atuação, é preciso também treinar habilidades; além disso, temos necessidade de treinar o raciocínio clínico, além de treinar a questão comportamental. Então, de acordo com o tipo de necessidade de treinamento, vamos usar a ferramenta mais apropriada. O Imedgroup tem investido na participação de seus líderes em cursos e congressos de simulação internacionais, no sentido de nos renovarmos e trazermos para a realidade do nosso país técnicas e recursos mais modernos em educação para adultos. Entre elas, a simulação realística, que é uma ferramenta muito rica em termos de treinamento, de aprendizagem, de reciclagem. Podemos fazer cursos presenciais onde realizamos este treinamento de habilidades em tempo real com os professores/facilitadores. Podemos também desenvolver uma ferramenta de aprendizagem à distância usando metodologia assíncrona. Nesse tipo de ferramenta, a pessoa vai ter o conforto de assistir a aula na hora em que quiser, no local em que quiser (desde que ela tenha acesso a internet), tendo acesso a um conteúdo de alta qualidade, a interagir com seu professor/ facilitador através de um fórum e, ao final da atividade, poder ser avaliado, sendo possível ao seu Coordenador acompanhar o seu desenvolvimento pessoal.
Para isso usamos uma plataforma que é justamente a plataforma do Medportal. Já temos uma parceria de dois anos com vocês e uma excelente experiência no sentido de tecnologia, que está cada vez mais se tornando importante nesta formação.
Nós desenvolvemos no nosso Portal do EAD (ead.imedgroup.com.br), Trilhas de Conhecimento dentro das quais o médico vai ser encaminhado de acordo com o serviço/área que ele está atuando.
O médico não precisa assistir apenas a trilha referente à sua área. Ele pode assistir ao conteúdo das trilhas de outras especialidades ou temas. Por exemplo, digamos que seja um emergencista, ele pode fazer a Trilha de Conhecimento em Emergência e a Trilha de Medicina intensiva. Do ponto de vista de avaliação interna, de exigências e necessidades, o médico tem que assistir, com aprovação, pelo menos a trilha de Emergência e a de Qualidade. Estas duas são obrigatórias para o médico que trabalha conosco em Emergência. Se ele for intensivista, ele terá que fazer a trilha de Intensivismo e a trilha de Qualidade. Ou seja, há um conteúdo minimamente obrigatório, porém, o conteúdo total do EAD é aberto para todos os nossos médicos das diferentes especialidades poderem se atualizar“
Medportal:
E esse conteúdo vocês mesmos fazem internamente? Ou seja, é você mesmo quem define os temas que precisam ser feitos? E como é de fato a produção deste conteúdo? Como vocês têm feito atualmente? Acho que é uma experiência muito interessante para compartilhar. Vocês têm muito conteúdo, conteúdo rico. Imagino que seja um desafio definir quais são os cursos a serem feitos e de fato produzi-los.
Dr. Alexandre:
“Todos os nossos cursos, sejam eles presenciais ou sejam eles uma Trilha no EAD, possuem um Coordenador Técnico. Esse Coordenador Técnico é quem vai avaliar quais são as principais demandas em conjunto comigo, visando criar uma lista de aulas a serem gravadas. Nós convidamos médicos, se possível dentro na nossa própria equipe do Imed Group (visando legitimar o processo e incluir as pessoas, ser um processo inclusivo). Se porventura não tivermos na nossa equipe uma pessoa para ensinar sobre determinado tema, então convidamos alguém de fora do Imedgroup para gravar essa aula. Por exemplo, por ser intensivista, eu mesmo coordeno a Trilha de Medicina Intensiva e faço o acompanhamento das novidades com os demais colegas, que também são Coordenadores de Serviço, a fim de saber quais são as demandas que eles possuem, para que possamos definir os temas e convidar professores que possam ministrar estas aulas.
As aulas são gravadas em nosso estúdio, uma empresa especializada faz a edição final e eu mesmo coloco as aulas no EAD e faço toda a gestão desse processo, já que o sistema da Medportal é fácil de usar. Fazendo o treinamento inicial, você consegue manipulá-lo bem. ”
Medportal:
E os desafios? Quais têm sido as maiores dificuldades que vocês têm enfrentado? Imagino que não seja um trabalho muito simples.
Dr. Alexandre:
“É aquilo que eu estava comentando no início. Dentro da andragogia, criar a prontidão para aprender, isso é algo desafiador. Hoje a maioria das pessoas gerenciam muito mal o seu tempo pessoal. O gerenciamento de tempo é uma coisa muito complicada. Nós fizemos algumas pesquisas internas para saber quais as dificuldades do médico para se dedicar a sua própria educação, e a gente percebeu que a primeira resposta foi: “Não tenho tempo”.
Não ter tempo é uma coisa “normal” porque demandas novas acontecem a toda hora. É esperado que, se você não se organizar, você vai ficar sempre “sem tempo”. É preciso fazer o tempo, criar o SEU tempo. Você é dono da sua vida, então se você estabelecer uma lista de prioridades, você vai conseguir criar esse tempo e vai conseguir então, ABRIR tempo na sua grade pessoal para poder se atualizar.
Desde a entrada do médico no Imedgroup, mostramos para o profissional que ele será avaliado do ponto de vista do seu desenvolvimento pessoal, onde o Coordenador dele vai estabelecer o que é esperado como um acordo: “preciso que você faça estes cursos, estas atualizações neste período. ”
À medida que for sendo avaliado com relação ao seu desenvolvimento, desempenho e sua colaboração, o médico vai avançar na carreira dentro do Imedgroup baseado em meritocracia.
É muito importante estimular e aplicar a cultura da meritocracia em nosso país. Pessoas que se desenvolvem, se dedicam, se comprometem com o processo de uma forma intensa têm que ser valorizadas e reconhecidas. Aqui dentro da empresa estamos fazendo isso, mostrando para as pessoas que elas têm espaço para crescimento. A educação continuada é um destes espaços, é uma destas vias onde nosso médico pode se desenvolver e mostrar interesse em melhorar. ”
Medportal:
Então o senhor diria que o maior desafio na realidade é o envolvimento do profissional nesse programa, o engajamento do mesmo? Porque esta questão da falta de tempo das pessoas torna esse engajamento difícil, necessitando de ferramentas de motivação, gamefication; que é um desafio grande, mas contornável, certo?
Dr. Alexandre:
“A gente sempre faz avaliações prévias e posteriores para ver o quanto o profissional cresceu. Pesquisa pós-cursos são essenciais na complementação da Gestão do Conhecimento, para ver se o conhecimento oferecido mudou a realidade onde o profissional presta serviço, porque não adianta a pessoa fazer um curso e até passar em uma prova, se ela não muda nada no seu dia-a-dia, se ela continua com os mesmos gaps, com os mesmos problemas que ela tinha antes da ação de desenvolvimento.
Elaborar, criar, executar e aplicar, seja o curso presencial ou a distância, é um processo trabalhoso. Mas eu tenho a impressão que apesar disso, é a parte menos difícil. Saber se isso impactou na vida do indivíduo que recebeu a ação de desenvolvimento e, mais ainda, se isso impactou lá na frente na qualidade do atendimento prestado ao paciente, isso é uma de nossas metas mais importantes.
Para isso precisamos comprometer as pessoas o máximo possível. Que elas sintam que não acabou a educação no momento em que concluiu a faculdade ou a residência, muito pelo contrário: que ela tem o tempo todo que estar lendo coisas novas e reciclando conhecimentos que perdemos se não usarmos, por exemplo. Às vezes ficamos sem ler alguma coisa, aquilo fica desatualizado ou a gente esquece mesmo; é da natureza humana esquecer! Então é preciso estar sempre revendo e mantendo treinada a nossa equipe.
A educação continuada hoje é um caminho obrigatório e essencial. Mas para que agregue real valor, ela precisa se reinventar continuamente. Esse valor tem que ser agregado ao médico, aos nossos contratantes, e por fim aos pacientes!
Em qualquer canto, em qualquer lugar do mundo, as pessoas têm que se revalidar, comprovando que ainda possuem a mesma capacidade demonstrada no passado, por exemplo, há alguns anos atrás. A educação continuada também tem papel nesse processo.
Outro ponto: Às vezes as pessoas gastam dinheiro para ir em determinados eventos, congressos (que são caros), ou então cursos presenciais que elas resolvem fazer, sem saber que há muita informação gratuita de qualidade na Internet, bem como recursos que a própria empresa oferece com ferramentas semelhantes, e elas simplesmente não as usam! Nós realmente precisamos criar a prontidão para o aprender. Não é fácil, é um exercício diário. Nós estamos aqui descobrindo e reinventando como fazer para que as pessoas realmente se comprometam e se empolguem com seu próprio processo de desenvolvimento. ”
Medportal:
E esse desafio não está só na mão do profissional. Vemos que até a questão de mudança de mentalidade, de esforço nesse sentido de caminhar para uma cultura de treinamento constante, isso tem que partir também da gestão. Vemos que isso acontece no imed Group e em algumas instituições, é uma co-responsabilidade, digamos assim, não só do colaborador, mas também dos gestores.
Dr. Alexandre:
“Sem dúvida A ideia é que o médico tenha a clara percepção que a empresa está comprometida em investir nele, no seu desenvolvimento pessoal, técnico e comportamental. Que ele perceba que essa decisão vem da direção para a ponta, ou seja, que a empresa tem compromisso de oferecer estas ações de desenvolvimento e levá-las até ele. Quem se dedica, quem se compromete, vai ser mais valorizado, dentro da meritocracia. Então, sem dúvida alguma, a decisão para implementação desse processo tem que vir da alta direção, como é o caso do Imedgroup Brasil. Tem que estar arraigado na Instituição.
Medportal:
Na cultura mesmo, certo?
Dr. Alexandre:
“Exatamente. Tem que ser cultural. ”
Medportal:
Dr. Alexandre, o senhor está sempre, além desse seu envolvimento direto no IMED, frequentando congressos, meios e redes relacionadas a esta questão de atualização e treinamento. O que o senhor tem visto de mais moderno? Você já citou algumas que acontece lá fora e que o imed Group vem acompanhando e instituindo aqui no Brasil. O que mais o senhor tem visto de novas tendências do ponto de vista de capacitação e atualização dos profissionais sobretudo na área da saúde? A gente vê muitas vezes a área da saúde chegando um pouquinho atrasada, depois dos outros setores e por outro lado enxerga que nas instituições de ponta, nos grupos em que há esse tipo de preocupação, muitas vezes questões de vanguarda são iniciadas também na área de saúde. Então o que o senhor tem visto que possa compartilhar conosco e com quem vai acompanhar esse nosso papo?
Dr. Alexandre:
“Na verdade, o que hoje nós temos visto de uma forma bastante intensa em termos de vanguarda, do ponto de vista educacional, é a questão de comportamento pessoal. A parte técnica de cada um, como eu disse anteriormente, já foi conquistada e comprovada quando foram habilitados, então, de alguma forma, todos têm algum grau de conhecimento técnico, que pode e deve ser sempre reciclado. No entanto a parte de comunicação, a parte comportamental e de relacionamento interpessoal ainda é muito, muito problemática.
No Departamento de Educação Continuada do Imedgroup Brasil, criamos e promovemos cursos só para comunicação em situações difíceis, para desenvolver habilidades em gestão de conflitos, e também cursos de relacionamento entre pares, relacionamento interpessoal, visando desenvolver mais a empatia no relacionamento com todos à nossa volta, como transmitir melhor a informação, transmitir o seu modelo mental. À medida em que condutas terapêuticas podem cada vez mais ser traduzidas em algoritmos, já vem sendo demonstrado que o tratamento – do ponto de vista técnico – até mesmo possa vir a ser proposto por um computador e um software apropriados no futuro. No entanto, o tratamento médico efetivo e que fará a diferença sempre dependerá do relacionamento profissional-paciente e profissional-equipe. Essa será a medicina do futuro: interpretar esses algoritmos e traduzir para nossos pacientes a melhor conduta, usando empatia e compaixão na construção do relacionamento interpessoal. Isso nenhuma máquina poderá substituir. Essa forma de atuação levará o paciente/familiar a ter uma percepção diferenciada do que está recebendo, podendo superar suas expectativas. “
Medportal:
De percepção do tratamento?
Dr. Alexandre:
“Exatamente. A comunicação pode impactar, por exemplo, no entendimento pelo paciente da sua conduta. Por exemplo, você vai atender um paciente e ao final da consulta você passou várias orientações para esse paciente e você diz: “entendeu, tudo certo”? Essa é uma pergunta inapropriada, pois é indutiva da resposta. A pessoa poderá responder: “Entendi”, mas, de fato, há uma chance de ela não ter entendido plenamente, a depender de diversos fatores. Nós, médicos, não podemos ser um desses fatores.
E é muito fácil hoje fazer a técnica do ‘teach back’. Você diz: “Muito bom Sr. João, para eu saber que tudo ficou claro para o Sr., peço que repita para mim o que o Sr. entendeu. ” É o momento de realmente percebermos se houve falhas na transmissão da informação, podendo corrigi-las. ”
Medportal:
É uma técnica simples que as vezes o médico nunca utilizou.
Dr. Alexandre:
“Melhorar seu relacionamento e sua comunicação com o paciente tem a ver com a aderência ao tratamento, com o sucesso final do tratamento. Se ele não entendeu, não vai tratar direito; pode até se prejudicar. Em nossos cursos presenciais usamos o que é chamado de SP’s (Standardized Participants). São atores especializados que vão fazer papel de família, o papel de médico ou outro profissional da saúde. Esses atores vão participar de cenários específicos de situações cotidianas e situações de comunicação difícil. Situações delicadas, onde o médico tem que apurar sua capacidade de empatia, negociação, percepção; se colocar no lugar do outro e tratar os pacientes com compaixão.
Isto é algo visto por muitas pessoas como algo piegas, “Ah, compaixão”. Não! Compaixão é exatamente ter empatia pelo problema do outro e tentar minorá-lo. Então não é piegas, não é sentimentalismo barato. Todos temos compaixão, em maior ou menor grau, nas mais diferentes situações.
Às vezes eu escuto de alguns colegas: “Ah, eu nasci sem compaixão, eu nasci sem empatia” Não! Não existe isso. Alguns têm um desenvolvimento pessoal mais acentuado nesse sentido, pela sua formação, pela sua criação, e outros não; mas é possível desenvolver. É possível você estudar, é possível você alterar sua forma de agir. E isso tudo está dentro do nosso escopo de treinamento também. Isto é algo bem atual. Precisamos encantar as pessoas. A intenção do imed Group é encantar os clientes, seja ele nosso contratante, seja nosso paciente, seja ele um familiar ou um colega médico de outra especialidade.
E o que que é encantar? Encantar é quando você tem a sua expectativa superada. Ser tratado de uma forma melhor do que você esperava.
Você recebe um atendimento (não necessariamente médico) diferente, um sorriso, de repente um brinde, alguma coisa que te deixa sair do local e pensar: “Puxa, não esperava por isso”. Uma fila pequena, uma gestão bem-feita, tudo isso faz parte deste processo de encantar.
Falando em fila, outra coisa bem moderna que também estamos fazendo dentro do Imed Group é a questão da gestão do pronto socorro, que, entre diversos assuntos, envolve também a gestão da fila, por exemplo. Toda essa parte de Educação dos nossos Coordenadores de Pronto-Socorro permite que o paciente passe o menor tempo possível, sem “desperdiça-lo”, por assim dizer, no pronto socorro. Que o tempo que o paciente fica ali seja um tempo útil e que agregue valor às suas necessidades, ou seja, que o problema que o trouxe ali seja efetivamente resolvido ou encaminhado da melhor forma.
Como agregar valor para o paciente? Trazer a ele um resultado efetivo, fazer o diagnóstico, afastar o que tem que ser afastado, confirmar o que tem que ser confirmado, tratar o que tem que ser tratado, chegar a um desfecho (tratar em casa, internar, operar etc.) dentro de um prazo aceitável e com qualidade. Tudo isso tem muito a ver com as novas tendências: melhorar o que se está entregando ao paciente e ao contratante, porque os custos são altíssimos dentro da saúde, os recursos são finitos, ou seja, nós temos então que ser eficazes. Estas são as tendências do momento, na minha opinião. ”
Medportal:
Fantástico! De que maneira vocês têm utilizado a tecnologia e de que maneira a tecnologia pode entrar como nossa aliada para solucionar esse tipo de problema, a demanda do tipo questões comportamentais?
Dr. Alexandre:
“A metodologia vai desde cursos presenciais (usar atores, usar situações) até a utilização do ensino à distância para treinar comunicação. Dicas, orientações de como fazer este processo de comunicação, explicitar esta questão. Falar de uma forma sincera dos problemas, fazer com que a pessoa que esteja assistindo a uma aula a distância se identifique com o problema, assimilando “Eu vivencio isso, isso é uma coisa que acontece comigo”. Entender como se colocar no lugar do outro, entender dicas de técnica de conversação difícil.
Tudo isso nós temos que passar não só por essa parte de técnica propriamente dita, mas como linguagem corporal, gestos, a questão facial, todas as expressões universais. Mais de 80% da nossa comunicação ou é feita por linguagem corporal ou é feito por expressões faciais. Apenas uma pequena porcentagem da nossa comunicação é feita de forma verbal.
Tudo isso podemos passar para as pessoas. Por exemplo, você vai falar com uma pessoa e não estabelece contato visual. Eu estou aqui com você na entrevista, de repente eu abaixo a cabeça e começo a ver o computador. Imediatamente houve uma desconexão.
A presença do computador hoje num consultório médico é uma realidade, todos os locais têm computador. E o médico precisa de alguma forma explicar isso para o paciente. Por exemplo: O computador não é uma desvantagem. Você pode usá-lo para mostrar um exame, para mandar uma pequena explicação sobre um assunto ao seu paciente, entre outras coisas. Além disso você tem que falar “Eu vou precisar escrever no computador por alguns minutos”. Você interrompe esse contato, mas de uma forma programada. E o paciente entende isso.
Outros exemplos simples: falar com o paciente no mesmo nível; quando o paciente estiver na cama, tentar sentar do lado dele; outra situação: estando dentro do quarto com o paciente, de repente você vai se aproximando da porta enquanto o paciente ainda está falando com você. Você põe a mão na maçaneta dando a entender a ele que você já não estou mais ali; ele está falando, mas você já está com o pensamento em outro lugar. Isso são posturas corporais e expressões faciais que infelizmente traduzem imediatamente para seu interlocutor que você perdeu o interesse na conversa, mesmo que você verbalize para ele o contrário. Esse tipo de mudança é o que visamos passar para o nosso pessoal, de forma continuada. Usar a tecnologia do ensino à distância e os métodos de ensino presenciais adequados para cada situação pode permitir ajudar nossos médicos a incrementarem seu desenvolvimento pessoal. ”
Medportal:
Tanto em treinamentos presenciais como através de plataforma, tecnologia e cursos online, é isso?
Dr. Alexandre:
“Exatamente. ”
Medportal:
Excelente. Dr. Alexandre, acho que poderíamos ficar horas aqui conversando. É muito agradável e obviamente uma honra bater esse papo com o senhor. É sempre muito enriquecedor. Nós agradecemos muito. Espero que tenhamos a oportunidade de reunirmo-nos e conversar outras vezes. Vai ser uma boa oportunidade para as pessoas terem acesso a esse conteúdo. Um grande abraço, obrigado pela oportunidade da conversa.
Dr. Alexandre:
“Eu agradeço a oportunidade. O Imed Group é uma empresa que está sempre aberta a novidades, inclusive um dos nossos valores é Inovação, e vocês tem feito inovação. É uma grande satisfação em tê-los como parceiros. ”

Saiba mais sobre Capacitação e Atualização: http://www.medportal.com.br/solucao/capacitacao-e-atualizacao