Recursos tecnológicos e educacionais como apoio à acreditação hospitalar

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Hospitais utilizam recursos tecnológicos e educacionais como apoio na implementação de processos de acreditação hospitalar

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou recentemente uma lista com hospitais que atendem critérios de qualidade relacionados a determinado padrão assistencial (acreditação, índice de readmissão hospitalar e segurança do paciente), restando claro que a acreditação hospitalar está fortemente relacionada ao padrão de qualidade reconhecido até mesmo pelos órgãos reguladores. A acreditação é um procedimento de verificação externa dos recursos institucionais e dos processos adotados pelas instituições e mede a qualidade da assistência através de um conjunto de padrões previamente estabelecidos. Seu caráter voluntário pressupõe que apenas as instituições realmente interessadas na melhoria da qualidade dos seus serviços se habilitem para tal avaliação.

Define-se portanto acreditação como um sistema de avaliação e certificação da qualidade de serviços de saúde. Tem um caráter eminentemente educativo, voltado para a melhoria contínua, sem finalidade de fiscalização ou controle oficial/governamental, não devendo ser confundida com os procedimentos de licenciamento e ações típicas de Estado.

O processo de acreditação é pautado por três princípios fundamentais:

  • é voluntário, feito por escolha da organização de saúde;
  • é periódico, com avaliação das organizações de saúde para certificação e durante o período de validade do certificado;
  • é reservado, ou seja, as informações coletadas em cada organização de saúde no processo de avaliação não são divulgadas.

Portanto é notório que esses padrões excedem, em muito, as habituais exigências mínimas de funcionamento da vigilância sanitária. Consequentemente, todo serviço de saúde que se submete à acreditação necessita de um período, em média, de 12 a 16 meses para se adequar aos requisitos de qualificação. No final das contas o que se deseja é que os pacientes recebam atendimento qualificado e seguro e as organizações de saúde cumpram suas missões. “Torna-se contínua a necessidade de indicadores de desempenho que contemplem estruturas hospitalares que atuam de forma interativa em três grandes áreas: gestão da segurança, organização de processos e gestão dos resultados, o que tem sido definido como programas de acreditação hospitalar (CAMPOS; GASTAL; COUTO, 2008)”. Ainda, “…não se trata, portanto, de apenas mais um processo de gestão da qualidade e sim do compromisso com a segurança, a ética profissional, os procedimentos e com a garantia da qualidade no atendimento à população. Procura-se beneficiar os usuários, os trabalhadores da saúde e a instituição hospitalar” (EMÍDIO et al., 2013).

Entretanto apenas 4,61% dos 6.140 hospitais brasileiros possuem algum tipo de acreditação, não havendo lei que obrigue a instituição a buscar esta certificação feita por empresas externas, estas encarregadas de avaliar centenas de processos em um hospital como prontuários, taxa de infecção e capacitação de funcionários. Além disto, em levantamento feito pela Folha de São Paulo em 2016, dos 283 hospitais acreditados no Brasil, quase 40% estavam concentrados em território paulista, sendo que a região Norte, Acre, Rondônia, Roraima e Tocantins não tinham instituições certificadas. Em contraste, nos EUA e no Canadá por exemplo, governos e seguradoras de saúde exigem certificação dos hospitais com os quais firmarão contratos ou parcerias, além disto os pacientes usam estes selos como parâmetro para escolher onde desejam ser atendidos. Segundo a economista da saúde Maureen Lewis, professora na Georgetown University (Washington), neste mesmo relatório, “a certificação traz mais segurança ao paciente. Os hospitais não podem deixar aumentar o nível de infecção hospitalar senão perdem o selo”, exemplifica. A reportagem conclui: “Até 70% dos erros que ocorrem em hospitais brasileiros, como medicações trocadas ou operação de membros errados, seriam evitados se as instituições seguissem protocolos já estabelecidos.”
Inúmeros motivos vêm sendo apresentados como justificativas por estes números ainda deficitários, dentre eles alguns levantados em pesquisa realizada pelo Centro de Estudos em Gestão de Serviços de Saúde (Panorama da Acreditação Hospitalar no Brasil), quais sejam:

  • dificuldade no desenvolvimento da cultura da gestão da qualidade;
  • necessidade da criação de uma cultura de registro, de formalização dos processos;
  • necessidade da criação de uma cultura de qualidade no hospital;
  • necessidade da criação de uma cultura da mensuração;
  • desenvolvimento do trabalho em equipe e a multidisciplinaridade;
  • adequação do hospital, em termos de estrutura, às especificações;
  • resistência do corpo clínico aberto;
  • comunicação interna da importância do processo de acreditação;
  • resistência do corpo clínico interno;
  • adequar as especificações da certificação à cultura Brasileira.

Considerando o enorme desafio acima citado, para se implementar um processo de acreditação em uma instituição de saúde torna-se fundamental agregar ferramentas e sistemas que facilitem a propagação do conhecimento, da cultura pretendida, dos protocolos e das informações relevantes para o processo de acreditação. A sistematização do processo educacional necessário envolvido na implementação de uma instituição acreditada pode ser amplamente alavancada e facilitada com o uso de novas tecnologias e técnicas metodológicas, contemplando principalmente ferramentas de ensino à distância, adaptative learning, gamification, mas principalmente conteúdo, avaliações e certificações online. Conforme concluído por Emídio et al. ( 2013 ) : “Instituições que desenvolvem processos de acreditação hospitalar experimentam situações educacionais nas quais todos os seus participantes precisam discutir de forma aprofundada temas como eficiência e eficácia. É comum que determinados setores ofereçam resistência a tais programas, o que exige etapas de sensibilização e de diagnóstico institucional participativo, para posterior avaliação da situação e discussão de processos de aperfeiçoamento”.

Inovação no que concerne questões educacionais e tecnológicas está relacionada a praticamente todas as variáveis de análise e avaliação inerentes ao processo de acreditação, dentre elas:

  • apoio dos níveis estratégico, tático e operacional;
  • uso de indicadores de qualidade;
  • padronização e documentação de processos;
  • aplicação de protocolos de atendimento;
  • envolvimento das pessoas;
  • uso de consultorias interna e externa;
  • e programas educacionais voltados para a manutenção do selo de acreditação.

Cabe ressaltar que, apesar de todas as dificuldades, diversas instituições vêm conseguindo agilizar e simplificar o processo de acreditação hospitalar com sucesso quando adicionam procedimentos tecnológicos educacionais às suas rotinas institucionais. Em estudos de caso sobre o tema (EMÍDIO et al., 2013) destacam-se situações em que uma abordagem com vies educacional tornou o processo possível: “… O ponto forte deste hospital é a excelência do corpo clínico e a alta tecnologia empregada, bem como a preocupação dos gestores com a qualidade e em treinar e atualizar multiplicadores internos, focados na manutenção do selo conquistado, para garantir a segurança, a organização e os resultados da qualidade a qualquer termo.”

Por fim, em praticamente todos os casos de sucesso nota-se um forte viés de implementação, incentivo, investimento e ampliação de programas de treinamento e educação continuada, sendo as variáveis “treinamento homem/hora”, “avaliação de desempenho” e “atualização profissional” as mais utilizadas globalmente para aferição deste esforço, variáveis estas que vêm cada vez mais sendo otimizadas (qualidade, custo, capilaridade) através do uso de plataformas online de educação e novas tecnologias educacionais.

 

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Referências, links e sites consultados:

Rodrigo Coelho

Rodrigo Coelho

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