Informática na Saúde: Desafios, Especialização e Oportunidades no Mercado Brasileiro

Por: Redação Medportal – Rio de Janeiro
18 de setembro de 2025

A Informática na Saúde deixou de ser promessa de futuro e se tornou um imperativo estratégico para o presente. Com o avanço da digitalização — prontuários eletrônicos, telemedicina, interoperabilidade, análise de dados e inteligência artificial — hospitais e clínicas precisam urgentemente de profissionais capacitados.

O problema é que a demanda avança em ritmo muito mais rápido que a formação. Um relatório da Google for Startups (2023) estima que o Brasil terá déficit de 530 mil profissionais de TI até 2025, e esse buraco afeta diretamente áreas críticas da saúde: segurança da informação, gestão de dados clínicos e desenvolvimento de sistemas de apoio à decisão.

No episódio #13 do Medportal Podcast, Thiago Constancio recebeu Ivana Siqueira e a Profa. Heimar Marin, pioneira em Informática em Enfermagem no Brasil, para discutir desafios e caminhos. Este artigo, inspirado no episódio, vai além da conversa: traz dados, conceitos, cursos e oportunidades reais para que líderes e profissionais de saúde compreendam a urgência e saibam como se preparar.

O pioneirismo de Heimar Marin

Heimar foi uma das primeiras pesquisadoras a enxergar a Informática em Enfermagem como disciplina estratégica nos anos 1980. Participou de projetos que usavam sistemas digitais para apoiar decisões clínicas e prevenir quedas hospitalares.

Heimar coordenou a implementação de um sistema de alerta para prevenção de quedas em pacientes hospitalizados (Marin, Bourie & Safran, 2000), em um hospital não identificado no estudo, que, ao ser ajustado às práticas clínicas locais, ajudou a reduzir em até 40% os casos de quedas. Esse resultado reforça a importância de unir tecnologia e conhecimento assistencial, mostrando que soluções digitais só fazem sentido quando aplicadas com propósito e adaptadas ao contexto real de cada instituição.

Os desafios atuais: quando bits e bytes sangram

Apesar do avanço, muitos sistemas de saúde ainda são desenvolvidos sem participação ativa de profissionais clínicos. Isso gera ferramentas pouco usáveis, desconectadas da rotina e, por vezes, rejeitadas. Como disse Heimar: “nossos bits e bytes sangram com isso”.

Esse cenário gera três desafios:

  • Significado clínico: dados precisam ser mais do que números, precisam orientar decisões que melhorem o cuidado.
  • Resistência cultural: quando a tecnologia não conversa com a prática, o profissional tende a sabotá-la ou ignorá-la.
  • Usabilidade: sistemas que dificultam mais do que ajudam geram sobrecarga e retrabalho.

Uma pesquisa publicada no Journal of the American Medical Informatics Association (JAMIA, 2023) apontou que cerca de 50% dos médicos relataram fadiga associada ao uso de sistemas como o EHR (sigla em inglês para Electronic Health Record, equivalente ao PEP — Prontuário Eletrônico do Paciente — no Brasil). Essa fadiga digital está ligada a interfaces pouco amigáveis, excesso de cliques para registrar informações e baixa integração entre sistemas.

Competências digitais exigidas pelo mercado

Para enfrentar os desafios da transformação digital na saúde, instituições e profissionais precisam desenvolver competências bem definidas — tanto por organismos internacionais quanto pelas políticas brasileiras recentes. A seguir, uma versão mais precisa:

Organizações como a TIGER Initiative (Technology Informatics Guiding Education Reform) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) propõem conjuntos de competências digitais que vão além do básico, exigindo preparo técnico, ético, estratégico e colaborativo.

Segundo o modelo da TIGER, competências como alfabetização em informática, gestão da informação (incluindo uso de prontuário eletrônico) e literacia de dados são essenciais para profissionais de enfermagem e de saúde atuarem com segurança em ambientes tecnológicos.

Da parte da OMS, políticas de Saúde Digital no Brasil (como a Estratégia de Saúde Digital 2020-2028) já destacam como prioridade capacitar profissionais de saúde e de TI nas competências de informática em saúde, interoperabilidade de sistemas, proteção de dados, ética e privacidade.

A seguir, competências-chave que temos visto como urgentes no mercado brasileiro:

  • Interoperabilidade de dados: integrar informações entre diferentes sistemas de saúde e níveis de atenção, conforme previsto na Estratégia de Saúde Digital.
  • Segurança, privacidade e ética: proteção de dados sensíveis, alinhamento com LGPD, assegurar confidencialidade e uso responsável dos registros eletrônicos.
  • Telemedicina e telessaúde: oferecer cuidados remotos com qualidade, usabilidade, acesso digital equitativo e continuidade do cuidado.
  • Pensamento crítico em dados clínicos: capacidade de interpretar evidências de saúde, avaliar qualidade e confiabilidade dos dados, entender limitações dos algoritmos.
  • Gestão da inovação e usabilidade: não basta adotar tecnologia; é preciso que os sistemas sejam desenhados para quem os usa, que profissionais tenham voz no desenvolvimento e adaptação, e que mudanças tecnológicas sejam lideradas estrategicamente.

No Brasil, há dados que confirmam que, apesar do avanço da digitalização — como mostra a pesquisa TIC Saúde 2024 indicando que 92% dos estabelecimentos de saúde têm algum sistema eletrônico —, há uma grande lacuna em capacitação: apenas 23% dos médicos e enfermeiros relataram ter realizado treinamento específico em informática em saúde nos últimos doze meses.

Educação para quem quer se especializar

Para quem deseja ingressar ou avançar em Informática em Saúde, já existe no Brasil uma oferta concreta de formações acadêmicas e profissionais. Cada formato atende a perfis e objetivos distintos, permitindo que o profissional construa sua trajetória de forma progressiva:

  • Cursos de curta duração (extensão e atualização): introduzem conceitos básicos de informática em saúde, principais terminologias, panorama de tecnologias aplicadas e primeiras noções de interoperabilidade e segurança digital. São indicados para profissionais que querem ter contato inicial com a área.
  • Especializações lato sensu (pós-graduação): aprofundam temas como gestão de dados clínicos, integração de sistemas, desenho centrado no usuário, telemedicina e análise de dados aplicados ao cuidado.
  • Graduação tecnológica (tecnólogo): oferece formação estruturada desde a base, unindo disciplinas de tecnologia da informação, saúde pública, ética, privacidade e inovação digital. Esse tipo de curso prepara profissionais para atuar tanto em hospitais quanto em empresas de tecnologia voltadas para saúde.
  • Mestrados profissionais: voltados para aplicação prática da Informática em Saúde em contextos reais, como hospitais, clínicas e redes assistenciais. Um exemplo é o PPGINFOS da UFSC, que prepara líderes para integrar ciência de dados, gestão clínica e inovação.
  • Mestrados acadêmicos e doutorados: desenvolvidos em programas de instituições como a Fiocruz (PPGICS), voltados para pesquisa avançada em informação, comunicação e saúde digital, além de formação de docentes e pesquisadores que vão expandir o campo no Brasil.

Esses diferentes níveis de formação ajudam o profissional a evoluir do básico ao avançado, construindo uma visão técnica, clínica e estratégica. Além disso, há uma literatura acadêmica, que reforça a base teórica e prática necessária para atuar com excelência na área.

Mercado de trabalho em expansão

A procura por especialistas cresce em hospitais privados e públicos, startups de saúde digital e fornecedores de software clínico. Áreas como telemedicina, interoperabilidade e proteção de dados são especialmente promissoras.

As oportunidades incluem:

  • Órgãos regulatórios que precisam de especialistas para auditar sistemas clínicos.
  • Hospitais que implementam prontuários eletrônicos ou projetos de IA aplicada ao cuidado.
  • Empresas de healthtech, que buscam profissionais híbridos em tecnologia e saúde.

Conclusão

A frase de Heimar resume o espírito deste tema: “Quem escolheu saúde precisa estudar.”

A Informática na Saúde não é um luxo, é uma necessidade urgente para hospitais que querem ser sustentáveis e para profissionais que querem ser relevantes.

👉 Se você deseja se aprofundar e ouvir a conversa completa com a Profa. Heimar Marin e Ivana Siqueira, acesse o episódio #13 do Medportal Podcast.

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