Por: Redação Medportal – Rio de Janeiro
20 de outubro de 2025
Introdução: o futuro da liderança é intergeracional
O episódio #15 do Medportal Podcast, com o tema “Liderança Multigeracional: Como Integrar Valor, Experiência e Novas Visões”, reuniu dois nomes que representam, na prática, essa transição de gerações na liderança da saúde brasileira: Nathalia Nunes, CEO do CBEXS, e Rodrigo Vilar, CEO da Iniciativa FIS.
A conversa, mediada por Thiago Constancio (CEO do Medportal), abordou como as instituições podem equilibrar experiência e inovação em um setor que ainda é fortemente hierárquico e conservador.
O pano de fundo é uma realidade já comprovada: segundo a Deloitte (2024), 70% das organizações consideram essencial liderar equipes multigeracionais, mas apenas 10% se sentem preparadas para isso.
A partir desse ponto, o episódio trouxe reflexões práticas sobre sucessão, cultura, protagonismo e aprendizagem — temas que vão muito além de “velhos versus jovens” e tocam o centro da transformação humana e institucional da saúde.
Novas lideranças em construção
Tanto Nathalia quanto Rodrigo chegaram à liderança por caminhos distintos, mas movidos pelo mesmo propósito: transformar a saúde por meio da gestão e da inovação.
Nathalia Nunes, fonoaudióloga com MBA e mestrado pela Unifesp e formação executiva em Harvard, lidera o CBEXS com foco na formação de lideranças diversas, femininas e colaborativas. Sua trajetória une dados, inovação e uma visão prática de futuro para a gestão em saúde.
Rodrigo Vilar, engenheiro e mestre em Economia pela FGV, com formação em Ciências Políticas, é o CEO da Iniciativa FIS, que promove o maior evento de inovação em saúde da América Latina. Sua visão é pragmática: a transformação só acontece quando as lideranças criam espaço para novas vozes — algo que exige humildade, intencionalidade e propósito coletivo.
Ambos concordam: o futuro da saúde depende de colaboração entre gerações e estilos diferentes de pensar.
A lacuna da sucessão: o bastão que parou no ar
Rodrigo fez um alerta direto: muitas lideranças consolidadas falharam em preparar sucessores. Sem programas estruturados de desenvolvimento, o conhecimento se concentra e o risco institucional aumenta.
Segundo a Deloitte, 86% dos líderes consideram o planejamento de sucessão urgente ou importante, mas apenas 14% afirmam executá-lo bem. Essa lacuna ameaça a continuidade organizacional e a sustentabilidade das instituições.
No Brasil, o problema é visível: a sucessão em cargos de gestão hospitalar é lenta, especialmente em instituições tradicionais, onde a liderança ainda é fortemente centralizada.
Formar novas lideranças, portanto, não é uma questão de oportunidade, é uma questão de sobrevivência organizacional.
Diversidade geracional: conectar experiência e renovação
Integrar diferentes gerações dentro das instituições de saúde não é apenas uma questão de inclusão, mas uma estratégia de gestão inteligente e orientada a resultados.
O Great Place to Work mostra que equipes diversas (em idade, formação e experiência) tomam decisões mais eficazes e inovadoras, especialmente quando há liberdade psicológica para que todos expressem suas ideias e pontos de vista. Essa pluralidade de perspectivas amplia o repertório de soluções e evita o viés do pensamento homogêneo, um risco constante em ambientes de alta complexidade como o hospitalar.
De forma complementar, um estudo do Boston Consulting Group (BCG) mostrou que empresas com equipes de gestão diversificadas geram 19% mais receita proveniente de inovação do que aquelas com menor diversidade. O dado reforça que diversidade e inclusão não são apenas compromissos éticos, são motores de inovação e competitividade.
Na saúde, essa relação é ainda mais evidente. Enquanto milhares de jovens profissionais se formam todos os anos, cheios de energia e novas ideias, há também profissionais com décadas de experiência assistencial, cuja vivência prática é insubstituível. O verdadeiro desafio (e oportunidade) das instituições está em criar pontes entre esses dois perfis, valorizando a agilidade e a visão tecnológica das novas gerações sem abrir mão da sabedoria e do senso clínico daqueles que constroem o setor há anos.
Hospitais e redes que conseguem integrar essas perspectivas colhem resultados mais consistentes: processos mais seguros, decisões mais ponderadas e equipes mais engajadas. O futuro da liderança na saúde não está em escolher entre “o novo” e “o experiente”, mas em construir times que aprendem e inovam juntos.
Errar faz parte — desde que o erro gere aprendizado
A fala de Rodrigo sobre “erros que cabem no seu sapato” trouxe um ponto essencial: errar é parte do processo, mas o que realmente importa é o que se faz depois. Em ambientes complexos como a saúde, cada erro precisa virar aprendizado — e isso depende diretamente da cultura que a liderança promove.
Os profissionais mais jovens tendem a enxergar o erro como parte natural da inovação. Já os mais experientes, formados em ambientes com pouca margem para falhas, ainda associam o erro à punição. O papel do gestor é equilibrar essas visões e criar um ambiente onde as falhas sejam analisadas com responsabilidade, transformadas em melhorias e oportunidades de capacitação.
Essa é a base da Cultura Justa, conceito amplamente aplicado em instituições que buscam qualidade e segurança assistencial.
Nela, o erro não é motivo de culpa, mas um sinal de que o sistema precisa ser aprimorado. Ao analisar incidentes de forma estruturada, líderes identificam causas reais, ajustam processos e orientam suas equipes — em vez de apenas apontar culpados.
No artigo do Medportal sobre liderança e qualidade na saúde, exploramos como essa abordagem fortalece tanto a confiança quanto o aprendizado organizacional. Quando o erro vira tema de conversa e de formação, a equipe evolui, os processos ficam mais seguros e o ambiente de trabalho mais colaborativo.
Esse é o tipo de mentalidade que conecta gerações e transforma a liderança em um agente real de mudança.
Comunidade e colaboração: o antídoto contra o isolamento
Liderar na saúde pode ser solitário — e isso foi reconhecido por ambos os convidados.
A mentoria e as comunidades profissionais surgem como espaços de troca, apoio e aprendizado entre gerações.
O CBEXS Futuro, liderado por Nathalia, conecta executivos de diferentes idades em um modelo de mentoria cruzada, que valoriza tanto a experiência quanto a inovação. Já a Iniciativa FIS Week, de Rodrigo, dá palco a novas vozes, democratizando a discussão sobre o futuro da saúde.
Esses movimentos revelam algo essencial: a liderança multigeracional prospera quando há diálogo e comunidade.
Como agir: da reflexão à prática
A transformação da liderança acontece com ação intencional e cotidiana.
Aqui estão duas formas de começar:
a) Para colocar em prática agora
- Promova o diálogo intergeracional em torno de desafios reais.
- Crie momentos de mentoria reversa, unindo saber técnico e experiência.
- Dê espaço a novas vozes em reuniões e apresentações.
- Pratique a escuta ativa semanalmente.
b) Para implementar a longo prazo
- Estruture programas de sucessão e desenvolvimento cruzado.
- Invista em educação continuada para líderes multigeracionais.
- Monitore indicadores de diversidade etária e inovação.
- Conecte RH, gestores e Educação Corporativa em projetos formadores.
Essas ações preparam o futuro sem desperdiçar a sabedoria do passado.
A liderança multigeracional é a ponte entre tradição e inovação — e o caminho mais humano para sustentar o futuro da saúde.
Conclusão: o futuro é construído em conjunto
O episódio com Nathalia Nunes e Rodrigo Vilar mostra que o futuro da liderança na saúde não será sobre idade, mas sobre intencionalidade, aprendizado e colaboração.
Cada geração tem algo essencial a oferecer — e o verdadeiro desafio é transformar essas diferenças em força coletiva.
Quer ouvir a conversa completa? Escute o episódio #15 do Medportal Podcast no Spotify e inspire-se a liderar de forma mais inclusiva, humana e inovadora.
