Por: Redação Medportal – Rio de Janeiro
28 de agosto de 2025
A forma como profissionais de saúde aprendem, se atualizam e compartilham conhecimento está mudando de forma definitiva. A demanda por formações mais dinâmicas, flexíveis e eficazes desafia líderes e gestores a repensarem o modelo tradicional de treinamentos presenciais. Em um setor pressionado por produtividade, segurança assistencial e indicadores de qualidade, não é mais viável afastar profissionais por longos períodos ou depender exclusivamente de ações pontuais.
A solução pode estar no modelo blended learning: uma combinação estratégica de encontros presenciais com trilhas de aprendizagem digitais. Mais do que uma tendência, trata-se de uma resposta inteligente às dores reais da formação na saúde. No Medportal, que apoia milhares de instituições com tecnologia educacional e consultoria estratégica, vemos diariamente como o blended learning pode ser um divisor de águas — e também quais são os obstáculos mais comuns para sua implantação eficaz.
Neste artigo, você vai entender como aplicar o blended learning com eficiência, superar resistências e transformar o aprendizado em resultados concretos para sua instituição.
Blended Learning na Saúde: o que é e como funciona na prática
Blended learning é um modelo de ensino que combina atividades presenciais com conteúdos digitais, planejados de forma integrada. Não se trata de dividir 50% do conteúdo para cada formato, mas sim de pensar: qual é o melhor meio para garantir que esse conhecimento seja absorvido e aplicado?
Na saúde, isso significa que um treinamento pode começar com um módulo online introdutório, seguir para um workshop prático com simulação realística e ser finalizado com uma avaliação digital ou um quiz gamificado. Cada etapa é pensada para complementar a outra, aumentando o engajamento e a retenção do aprendizado.
Dúvidas e desafios de aplicar blended learning na saúde
A seguir, respondemos dúvidas que acompanhamos de perto em nossa Comunidade e nos projetos que desenvolvemos com hospitais de todo o Brasil, com base em nossa prática e em estudos de mercado, como os da Harvard Business Publishing, ATD (Association for Talent Development), Universidade da Califórinia, LinkedIn Learning e Deloitte.
Como equilibrar a carga horária entre o online e o presencial?
A chave está na intencionalidade pedagógica. Não existe uma proporção ideal fixa, mas uma lógica de curadoria: conteúdos conceituais, teóricos, regulatórios e reflexivos (como treinamentos sobre NRs, cultura organizacional ou temas de segurança do paciente) podem ser realizados no ambiente online. Já as atividades que exigem demonstração prática, interação ao vivo, troca entre equipes e feedback imediato devem compor os momentos presenciais. Esse equilíbrio garante melhor aproveitamento de tempo e evita redundância.
Essa abordagem é corroborada por modelos de blended learning utilizados por instituições como Harvard Medical School, que separa módulos de conhecimento cognitivo para o digital e foca o presencial em aplicação prática e simulação.
Quais conteúdos são mais adequados para cada formato?
- Online: atualizações de protocolos, treinamentos obrigatórios (NRs, LGPD), cultura organizacional, boas práticas, conteúdos comportamentais, educação continuada em formato assíncrono.
- Presencial: habilidades psicomotoras, técnicas assistenciais, simulações clínicas, role play com feedback, discussão de casos reais, oficinas de integração.
Como engajar colaboradores em cada formato e de forma integrada?
Engajamento começa com clareza de propósito. Colaboradores precisam entender por que aquele conteúdo é relevante — e como ele se conecta ao seu dia a dia.
No online:
- Conteúdos curtos, gamificados e com linguagem acessível;
- Checkpoints com feedback imediato;
- Reconhecimento digital (certificados, rankings internos);
- Acompanhamento por líderes de setor.
No presencial:
- Atividades interativas baseadas nos dados do desempenho online (ex: dúvidas mais frequentes);
- Roda de conversa sobre desafios reais enfrentados na prática;
- Participação ativa de lideranças que validem a importância da formação.
De forma integrada:
- Narrativa única que conecta online e presencial com um objetivo institucional claro;
- Indicadores acompanhados em ambos os formatos;
- Ações de reforço e follow-up entre os formatos (ex: microlearning pós-presencial).
Como usar esse formato sem gerar mais sobrecarga?
O blended learning deve respeitar o ritmo do serviço. Distribuir microconteúdos digitais ao longo de semanas — em vez de concentrar tudo em um único dia — reduz o impacto na escala e melhora a retenção.
Segundo o Departamento de Psicologia da Universidade da Califórnia, trilhas de aprendizagem com sessões curtas distribuídas ao longo do tempo (spaced learning) geram melhores resultados de retenção e aplicação prática.
Como mensurar resultados no modelo híbrido?
A mensuração precisa abranger o projeto como um todo, integrando dados do presencial e do digital, de forma alinhada aos objetivos do programa de blended learning. Algumas práticas incluem:
- Adesão: porcentagem de colaboradores que participaram de cada etapa (online e presencial);
- Performance: comparativo entre avaliações diagnósticas, quizzes gamificados, e simulações práticas;
- Resultados aplicados: queda de incidentes, aumento na adesão a protocolos, engajamento em indicadores institucionais.
Por exemplo, se o blended foi criado para melhorar a comunicação entre setores, o impacto pode ser observado em número de retrabalhos, ocorrências por falha de passagem de plantão ou taxa de conformidade em registros.
Aplicar blended learning aumenta os custos?
Depende do ponto de vista. O investimento inicial em produção de conteúdo digital e estruturação de trilhas pode parecer mais alto, mas a médio prazo o ROI (Retorno sobre Investimento) tende a ser muito maior.
Além disso, o blended reduz:
- Custos com deslocamentos e hospedagens;
- Horas perdidas por afastamento da equipe;
- Repetição de treinamentos para novos colaboradores (por reaproveitamento de conteúdos online).
Esse modelo é mais sustentável financeiramente e operacionalmente.
Ideias e boas práticas de blended learning na saúde
- Antes do presencial: trilha online de sensibilização, nivelamento de conhecimento e revisão de protocolos;
- Durante o presencial: dinâmicas práticas, simulações clínicas com feedback, debate de casos, aplicação do conhecimento já trabalhado no digital;
- Após o presencial: microlearning semanal, mural digital de boas práticas, fóruns interativos e reforço com quiz.
- No longo prazo: novos módulos online para atualização, encontros presenciais de reciclagem, acompanhamento de indicadores de aprendizagem e performance.
O presencial não desaparece — ele ganha novo papel: o de espaço de troca, prática e consolidação. O digital, por sua vez, garante acesso contínuo, personalização e economia.
Benefícios concretos para a instituição
- Redução de custos com logística e horas paradas;
- Aumento da aderência e engajamento dos colaboradores;
- Melhor aproveitamento do tempo presencial para prática e troca entre equipes;
- Acompanhamento em tempo real do desempenho e evolução da equipe;
- Flexibilidade para diferentes perfis geracionais e funções;
- Integração entre áreas de Qualidade, Educação e Liderança.
O papel da liderança e da tecnologia
Líderes têm papel central no sucesso do blended learning: são eles que validam a importância da aprendizagem, liberam agenda, participam dos momentos presenciais e dão o exemplo no uso da tecnologia.
A tecnologia, por sua vez, deve ser intuitiva, funcional e alinhada à estratégia institucional. Plataformas como o Medportal permitem integrar o digital com o presencial, com indicadores claros, relatórios por setor e suporte especializado para gestores da saúde.
O que temos visto sobre Blended Learning?
- A natureza robusta do blended learning foi destacada em uma meta-análise de 2015 publicada na Wikipédia, afirmando que esse modelo produz resultados superiores tanto ao ensino totalmente presencial quanto totalmente online.
- A Deloitte, em seu relatório “Remote learning trends” (2023), revela que apenas 6% dos alunos com experiência em educação remota desejam voltar ao formato completamente presencial, enquanto a maioria prefere modelos híbridos ou predominantemente online.
- Segundo o relatório 2024 Global Human Capital Trends, da Deloitte, organizações que desejam prosperar precisam adotar uma abordagem de sustentabilidade humana, desenvolvendo capacidades humanas em escala e aproveitando tecnologias, de forma integrada. O relatório aponta que o foco no desempenho humano, mais do que apenas nos resultados operacionais, é o caminho para avanços significativos. Nesse contexto, o blended learning emerge como uma resposta viável e estratégica, pois permite escalar o aprendizado contínuo, integrar tecnologias educacionais e, ao mesmo tempo, manter o fator humano como centro do processo. Ao combinar flexibilidade, personalização e aplicação prática, o modelo híbrido contribui diretamente para a construção de ambientes mais sustentáveis, engajadores e alinhados às demandas do mundo atual.
Conclusão
Blended learning não é só uma metodologia — é uma nova forma de pensar a aprendizagem no ambiente da saúde. Um modelo que respeita o tempo da equipe, aumenta a qualidade do atendimento e potencializa o desenvolvimento técnico e humano dos colaboradores.
Se sua instituição busca excelência, segurança e inovação, o blended learning pode ser a ponte entre o que se faz hoje e o que o futuro exige.
Quer aplicar esse modelo com segurança na sua instituição? Conte com o apoio do Medportal para estruturar trilhas online eficientes, com capacidade de integração e mensuração.
