Por: Redação Medportal – Rio de Janeiro
19 de maio de 2025
Nos últimos anos, o Brasil presenciou um crescimento expressivo no número de cursos voltados à formação de profissionais da saúde, especialmente em Medicina. Entre 2010 e 2023, o número de cursos de Medicina mais que dobrou, passando de cerca de 180 para mais de 370, segundo dados do CFM (Conselho Federal de Medicina). No entanto, esse aumento não foi proporcional ao fortalecimento da qualidade formativa — gerando uma preocupante defasagem técnica e comportamental nos profissionais que chegam às instituições de saúde.
O problema se intensifica ao observarmos que, segundo o Ministério da Saúde, 61% das vagas de cursos médicos no Brasil estão em instituições privadas, com padrões de ensino e infraestrutura bastante diversos. O resultado é que hospitais e clínicas têm recebido profissionais com formações muito distintas, dificultando a manutenção da qualidade assistencial e da segurança do paciente.
A instituição de saúde como formadora
Diante desse cenário, as instituições de saúde não podem mais se posicionar apenas como ambientes de execução: elas precisam assumir o papel de formadoras complementares. Isso significa investir em estratégias de educação continuada, integração com a prática, acolhimento e desenvolvimento humano.
Segundo a Fiocruz, a educação permanente em saúde é um dos eixos estruturantes da Política Nacional de Educação Permanente do SUS (PNEPS). Ainda assim, uma pesquisa publicada na Revista Brasileira de Educação Médica aponta que apenas 30% dos profissionais da saúde participam regularmente de programas formais de capacitação após a graduação.
E mais: as próprias instituições de saúde precisam reconhecer sua responsabilidade na formação técnica, ética e comportamental dos seus times. A cultura institucional, o modelo de onboarding, os fluxos de capacitação e a forma como se reage aos erros também formam profissionais. Quando esses processos são bem estruturados, a instituição se torna um verdadeiro ecossistema de aprendizado.
Retorno sobre investimento (ROI) da educação: Como justificar?
Investir em educação, muitas vezes, é visto como custo. Mas os retornos vão muito além dos tradicionais indicadores de conclusão de curso. Hospitais que investem em programas estruturados de desenvolvimento relatam ganhos como:
- Redução da rotatividade de profissionais
- Melhoria no acolhimento e experiência do paciente
- Redução de incidentes assistenciais
- Maior envolvimento das equipes em processos de qualidade
Ou seja, o ROI da educação não está apenas em números de acesso, mas no impacto direto na qualidade da assistência prestada e na sustentabilidade institucional.
Formar para o imprevisível: Pensamento crítico e soft skills
Outro desafio é: como preparar um profissional de saúde para um cenário que ainda nem conhecemos? Tecnologias como Inteligência Artificial (IA), telemedicina e sistemas baseados em dados estão mudando a forma de trabalhar na saúde. A formação técnica já não é suficiente.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda, desde 2013, que programas formativos invistam no desenvolvimento de competências comportamentais e analíticas, como pensamento crítico, empatia, comunicação e tomada de decisão.
Formar um profissional resiliente, colaborativo e reflexivo é hoje tão importante quanto capacitá-lo tecnicamente.
E o futuro da formação?
O que se espera dos profissionais da saúde em 2025 e nos anos seguintes vai além do domínio técnico. Será necessário que saibam operar tecnologias complexas, trabalhar com equipes multidisciplinares, acolher diferentes gerações de pacientes e tomar decisões cada vez mais baseadas em dados. Para que isso aconteça, será preciso fortalecer a formação crítica, a prática reflexiva e a personalização dos programas de desenvolvimento.
As instituições que entenderem isso e abraçarem a formação como missão institucional, com investimento estratégico em educação continuada e na valorização de seus times, estarão mais bem preparadas para entregar cuidado seguro, eficiente e humano, sendo o verdadeiro diferencial competitivo da nova era da saúde.
Quer saber como tudo isso se conecta com o dia a dia das instituições de saúde?
No 6º episódio do Medportal Podcast, dois especialistas com forte atuação em ensino, assistência e gestão trazem uma conversa indispensável para quem vive os desafios da formação em saúde.
🎙️ Luiz Felipe Forgiarini – Diretor de Educação na Associação Evangélica Beneficente de Londrina (AEBEL) e referência nacional em inovação educacional e estratégias de formação na saúde.
🎙️ Márcio Sanches – Diretor de Pesquisa e Inovação no grupo UniEduK e CEO do InovaEduK, com ampla experiência em em inovação, telemedicina e educação médica.
Neste episódio, eles compartilham reflexões valiosas sobre:
- Como lidar com a defasagem da formação dos novos profissionais;
- Como preparar equipes para um futuro cada vez mais incerto e tecnológico;
- E como defender, com dados e propósito, o valor da educação dentro das instituições de saúde.
🎧 Ouça agora e descubra como a sua instituição pode transformar desafios em resultados sustentáveis!
